quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

ADMIRAÇÃO E RESPEITO PELAS GENTES DO SONGO





ADMIRAÇÃO E RESPEITO 

Homens destemidos, os colonos que um dia ousaram deixar para trás o pequeno torrão lusitano e partiram à aventura, oceano adentro. Com coragem, ousadia e espírito pioneiro, desembarcaram na imensidão de um território desconhecido, de selvas virgens e povos culturalmente diferentes e, bem lá a Norte, fixaram residência. Desbravaram matas e rasgaram a terra para nela plantarem e cultivarem o seu sustento; construíram aldeias, vilas e cidades; montaram serviços e indústrias.


No início dos anos setenta, no Songo, como nas outras cidades, vilas ou lugarejos de Angola, existiam duas comunidades que, embora distintas por várias ordens de razão — que não cabe aqui dissecar —, levavam vidas simples e de trabalho. De resto, uma vida semelhante à das pessoas das nossas aldeias. É como diz o ditado: «Quem vê o seu povo, vê o mundo todo.»


Esta gente cultivou o café e fê-lo como ninguém. A eles se devem as altíssimas produções que Angola alcançou no ranking mundial, mesmo em tempos de guerra. Os homens do Songo, ao final de mais um dia de labuta, passavam por um dos cafés, locais de convívio social masculino, e aí, enquanto bebiam uma cerveja, punham a conversa em dia e trocavam informações. Depois do jantar, era quase um ritual: sempre que havia cinema — e havia-o três vezes por semana —, iam ver a última novidade em cartaz com as suas esposas e filhos, desde que estes tivessem idade para tal.


As mulheres destes homens — nunca o perguntei, porém estou certo de que, na maior parte das vezes, foram elas que incentivaram os seus maridos a ousarem, a irem em frente! Elas são assim. Ocupavam-se das casas e da educação dos filhos, embora a maioria tivesse criados para as lides domésticas, cuja gestão lhes cabia naturalmente.


Os homens autóctones caçavam, recolhiam frutos, mel e tratavam do gado, quando o tinham. Alguns, poucos, já davam uma mãozinha às mulheres nas lavras; este trabalho era, ancestralmente, considerado doméstico. Outros, ainda menos, trabalhavam num ou noutro emprego, no comércio da vila ou em serviços subalternos. Era frequente, ao final da tarde, juntarem-se na sanzala, à roda da sombra que uma generosa e frondosa árvore lhes oferecia, para conversarem. Bebiam marufo, ou maluvo, enquanto trocavam informações e tratavam dos assuntos que diziam respeito à comunidade. Alguns homens, pouquíssimos, os que tinham dinheiro, também iam ao cinema. Aqui, as mulheres não os acompanhavam; ficavam em casa.


Durante o dia, as mulheres destes homens tratavam das habitações, dos filhos, do pilão, das refeições, da criação e das lavras, onde cultivavam a mandioca, a batata-doce, o milho, o feijão e a jinguba. São — julgo que ainda hoje assim é — dignas de se verem ao pilão ou de sachola na mão, a cavar, sempre com os seus bebés às costas, envoltos nos tradicionais panos africanos. As crianças, em contacto com o corpo da sua néngua (mãe), sentem-se seguras, não choram e até dormem, embaladas pelo balancé ritmado das mães, sempre que levantam e baixam o tronco para potenciar o golpe com que as sacholas sulcam a terra. Quando os filhos têm fome, as mães puxam-nos para debaixo do braço e, sem os tirarem dos panos, dão-lhes de mamar. Espantoso é que, depois de um dia árduo de labuta, estas mulheres ainda encontrem forças para cantar e dançar, sempre que socialmente lhes é exigido.


Com pequenas cambiantes de ordem cultural, estas mulheres são muito semelhantes às mulheres das nossas terras. Lá como cá, verdadeiras heroínas, traves-mestras das casas. Mulheres.


Não o sabiam quando ousaram partir, mas quis a desditosa vida que, um dia, voltassem a deixar tudo o que haviam construído e regressassem à pátria-mãe. E, cá, com a mesma coragem, ousadia e determinação, de novo se erguessem e reconstruíssem as suas vidas.


O mesmo oceano que um dia levou os nossos conterrâneos e os juntou aos africanos trouxe-os agora, a uns e a outros, embora em proporções diferentes e, mais uma vez, os reuniu, contribuindo para o desenvolvimento nacional.


É por tudo isto que aqui deixo estas singelas palavras de homenagem a esta gente, digna do nosso respeito e da nossa admiração.

domingo, 21 de fevereiro de 2010


TRAGÉDIA NA MADEIRA!


É assim! Quando menos esperamos a tragédia bate-nos à porta. Ontem o horror trágico no Haiti; hoje a tragédia na Madeira.
O povo português mobiliza-se para apoiar os nossos concidadãos nesta hora de aflição, de resto como sempre faz em situações destas.
Porém, o auxílio imediato, sempre necessário, não chega para repor a normalidade de todos quantos perderam os seus haveres, especialmente as suas casas e infra-estruturas. É a pensar no dia de amanhã que aqui deixo uma sugestão: a todos os portugueses que estão a pensar fazer férias no estrangeiro, num gesto de solidariedade para com os madeirenses, mudem o roteiro e façam-nas este ano na Madeira!
Com esta atitude, que me parece simples, contribuiremos decisivamente para alavancarmos a economia local (e nacional) e, assim, prestaremos uma ajuda determinante para a reconstrução desta nossa pérola do Oceano Atlântico.
Foto: Internet

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

NOTICIAS DO SONGO


NOTÍCIAS DO SONGO

A Rádio N’gola Yeto informa que:
MINARS continua a apoiar no Uíge

21-01-2010
A directora provincial da Assistência e Reinserção Social no Uíge, Adelina Pinto, garantiu quarta-feira, no município do Songo, província do Uíge, o apoio em chapas de zinco para a construção de casas para os angolanos expulsos da RDC.
Falando no acto de entrega de produtos de primeira necessidade aos 1.253 regressados da RDC reassentados no Songo, a responsável disse que o MINARS, além de apoiar com produtos alimentares e outros bens vai, nos próximos dias, entregar chapas de zinco à população.

Adiantou que se espera que a administração municipal possa distribuir terrenos de construção dirigida para casas para os regressados, a fim de melhor assegurar as suas condições de acomodação.

Adelina Pinto encorajou igualmente os regressados no sentido de se engajarem no fabrico dos adobes e na agricultura, com vista ao combate à fome e à pobreza.

No fim do acto, a responsável procedeu à entrega de produtos diversos aos 1.253 angolanos, como fuba de milho, arroz, sabão, feijão, óleo alimentar, enxadas, catanas, cobertores, pás, machados e outros bens.

Os deficientes físicos receberam também do MINARS um donativo composto por cadeiras de rodas, kits de sapataria, de barbearia, de sapataria, de engraxador e linhas de costura.

INSTANTÂNEOS DA NATUREZA

Bela Vista – Cabo Verde