segunda-feira, 10 de junho de 2024

IMAGENS ENIGMÁTICAS

 Um homem vestido de preto dos pés à cabeça, apenas uma ranhura à altura dos olhos, misterioso! quem será? Que meditará? Será ele um poeta que, como Camões há 500 anos,  invoca as Tágides do Tejo a inspirarem-no na construção dos seus futuros versos? 


Canto I - estrofe IV e V


E vós, Tágides minhas, pois criado

Tendes em mim um novo engenho ardente,

Se sempre em verso humilde celebrado

Foi de mim vosso rio alegremente,

Dai-me agora um som alto e sublimado,

Um estilo grandíloquo e corrente,

Porque de vossas águas Febo ordene

Que não tenham enveja às de Hipocrene.


Dai-me uma fúria grande e sonorosa,

E não de agreste avena ou frauta ruda,

 Mas de tuba canora e belicosa,

Que o peito acende e a cor ao gesto muda;

Dai-me igual canto aos feitos da famosa

Gente vossa, que a Marte tando ajuda;

Que se espalhe e se cante no Universo,

Se tão sublime preço cabe em verso.

Luís de Camões

Biblioteca ULISSEIA

de autores portugueses,

introdução: Silvério Augusto Benedito,

notas: António Leitão

2ª edição 


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