segunda-feira, 5 de agosto de 2019

SINAIS DOS TEMPOS... SERÁ?

Imagem retirada da Internet

Há certos períodos do tempo em que as coisas parecem estar ao contrário — de cabeça para baixo e de pernas para o ar: a verdade é mentira e a mentira é verdade; o bem é o mal e o mal é o bem; quem atira a primeira pedra é vítima e quem se defende é agressor; o justo passa por injusto e o injusto pelo seu contrário. Enfim, e por aí fora.

Vem isto a propósito de alguns desconchavos que estão a ocorrer, nestes dias ensolarados e quentes, no nosso cantinho lusitano.

O líder do PSD, Rui Rio, antes e depois de ter sido eleito, tem sido sistemática e violentamente atacado, não pelos outros partidos — o que seria normal e até expectável —, mas pelos seus próprios pares. Alguns têm-se comportado como verdadeiros vilões, numa permanente tentativa de lhe fazer a «folha».

Agora, porém, que o líder do partido — PSD, literalmente «partido», diga-se — tem a oportunidade de escolher a equipa que, com ele, irá fazer oposição ao futuro Governo, se não forem eles próprios a formar Governo, eis que o batalhão do bota-abaixo passa para outra frente: através dos media e, muitas vezes, com a ajuda destes, tenta fazer chegar à opinião pública a ideia de que o verdadeiro vilão é o próprio líder.

O que é que está mal nesta equação?

Não será justo que alguém que tem estado sujeito a um combate político sem tréguas — oposição cerrada, facas longas, traições e não sei que mais — tenha o direito de escolher aqueles com quem quer trabalhar e de afastar quem, reiteradamente, lhe tem demonstrado falta de lealdade?

Ou somos nós que estamos a ver o filme ao contrário?

Ou será que isto faz simplesmente parte dos tempos?

«Traição e rebelião — haverá divisões e lutas até dentro de famílias.» (Mateus, 24). Estão lembrados?

Em época de incêndios, aconselha o bom senso que se fale pouco e se atue mais. Mas não será igualmente justo que uma pessoa, mesmo sendo Ministro, depois de ter sido atacada — para não dizer difamada —, venha a terreiro repor aquilo que entende ser a verdade dos factos?

No que respeita à Proteção Civil, existe uma hierarquia de responsabilidades. A primeira linha de defesa pertence, nos termos da lei, às autarquias: limpeza de caminhos, abertura de aceiros, meios de combate aos incêndios, ativação da Proteção Civil local e demais medidas de prevenção e resposta.

Perante a gravidade de uma ocorrência e a impossibilidade de lhe fazer face com os meios disponíveis, o responsável local solicita a intervenção da autoridade superior, regional ou distrital. E esta, por sua vez, se considerar que não dispõe dos meios necessários, solicita apoio nacional.

Há, portanto, uma cadeia de responsabilidades. E, na sua base, estão os autarcas.

Por tudo isto, embora se reconheça que um governante deve manter contenção verbal, não nos parece incompreensível que venha a terreiro — utilizando, aliás, os mesmos meios de comunicação de quem o atacou — para repor a verdade dos factos.

O que também não entendemos é a razão pela qual alguns jornaleiros — alguns, muitos, demais — e certos comentadores de pantalha andam numa azáfama permanente a tentar convencer-nos de que o direito não é o «direito», mas o seu avesso.

É difícil não ver neste frenesim mediático uma forte componente ideológica. Há profissionais da opinião que parecem ter esquecido que a sua principal função deveria ser informar, investigar e questionar com independência e rigor. Ser jornalista não deveria significar ser militante de uma causa, de um partido ou de uma visão particular do mundo.

O jornalista deve ser mediador da palavra, não seu dono; deve ajudar o cidadão a compreender os factos, não dizer-lhe previamente aquilo que deve pensar.

Talvez por isso o descrédito que hoje atinge os políticos esteja, pouco a pouco, a atingir também aqueles que se apresentam como seus julgadores ou intérpretes. Quando a confiança desaparece, desaparece também a autoridade.

E não será por acaso que os media tradicionais atravessam enormes dificuldades. Cada vez menos pessoas compram jornais, e uma das razões para isso poderá precisamente estar no crescente sentimento de que, em vez de informação, lhes estão a vender uma determinada interpretação da realidade.

E, no que aos fogos diz respeito, há ainda outro facto que nos causa enorme perplexidade.

Não seria melhor concentrar esforços em descobrir, deter e responsabilizar os incendiários, em vez de se andar permanentemente a procurar culpados entre os governantes e os autarcas?

E, pior ainda, não será profundamente injusto transformar em alvo de críticas aqueles que estão na linha da frente — os bombeiros, os militares da GNR e das Forças Armadas —, homens e mulheres que tão abnegadamente dão tudo o que têm e, por vezes, até a própria vida, para nos defenderem e protegerem os nossos bens das catástrofes que nos atingem?

É fácil falar quando se está sentado numa cadeira, diante de uma televisão, a comentar o trabalho de quem, naquele preciso momento, está a entrar num incêndio.

Atenção, nós, povo: não nos deixemos enganar pelos falsos arautos, sejam eles políticos, comentadores ou pretensos donos da verdade.

Sejamos resilientes. Pensemos. Meditemos antes de agir.

Mas não fiquemos indiferentes.

Ajamos, sempre, com discernimento


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