Já não nos bastavam as catástrofes naturais — secas, incêndios, chuvas torrenciais que provocam cheias um pouco por toda a Terra, sismos devastadores e vulcões em erupção — e eis que se somam as absurdas, irracionais e aterradoras guerras.
A Rússia procura subjugar a Ucrânia, destruindo cidades e matando indiscriminadamente crianças, jovens, mulheres e idosos, sem poupar escolas, hospitais ou igrejas. Tudo parece ser alvo de mísseis e drones, ironicamente apelidados de «inteligentes», que apenas semeiam morte e destruição.
O Hamas lançou um ataque brutal contra Israel, matando civis, incluindo crianças, mulheres e idosos, e fazendo numerosos reféns, numa ação que desencadeou consequências devastadoras para toda a região. Em resposta, Israel desencadeou uma ofensiva militar de grande escala na Faixa de Gaza, por terra, mar e ar, afirmando ter como objetivo eliminar o Hamas. Porém, como este movimento opera no meio da população civil, utilizando túneis e outras infraestruturas, são os civis quem acaba por pagar o preço mais elevado. Crianças, mulheres, jovens e idosos morrem aos milhares, vítimas dos bombardeamentos, da fome, da sede e da destruição das condições mínimas de sobrevivência.
Mas há muitos outros conflitos armados a devastar o planeta: na Síria, no Iémen, no Sudão, na República Democrática do Congo, na Etiópia, no Afeganistão, na Líbia, em Myanmar, na Somália, no Haiti e também no norte de Moçambique. Milhões de pessoas vivem diariamente o drama da guerra, da violência e da deslocação forçada.
Perante tantos horrores, é inevitável interrogarmo-nos: como podem seres humanos destruir outros seres humanos e, ao mesmo tempo, afirmarem-se crentes em Deus? Todos nos lembramos de Vladimir Putin a assistir, sozinho, à missa de Natal, enquanto os seus mísseis continuavam a destruir cidades e a matar inocentes.
Recorde-se que Jerusalém é a cidade sagrada das três grandes religiões abraâmicas — Judaísmo, Cristianismo e Islão —, todas elas assentes, pelo menos nos seus princípios, em valores de paz, justiça e respeito pela vida humana.
Neste cenário de violência quase generalizada, talvez já não seja o momento de discutir apenas quem tem razão ou quem tem culpa. Mais importante é encontrar um caminho que ponha fim a esta sucessão de tragédias e ao sofrimento de tantos inocentes. Independentemente das responsabilidades políticas e militares, nenhuma causa justifica o massacre deliberado de civis.
A propósito, recordo as palavras do Papa Francisco:
«A paz não se constrói com armas, mas através da escuta paciente, do diálogo e da compreensão, que continuam a ser o único meio digno da pessoa humana para resolver as diferenças.»
A Terra enfrenta já demasiadas tragédias que não podemos evitar. As guerras, porém, são uma escolha dos homens.
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