Nestes dias, ouço políticos de praticamente todas as áreas partidárias — governantes, oposição, comentadores e Comunicação Social — falar constantemente das dificuldades em dar resposta aos problemas das pessoas.
O Governo e a AD repetem, vezes sem conta, que não existe margem orçamental para as propostas da oposição. E avisam que, se forem obrigados a concretizá-las, serão as oposições as responsáveis por um eventual agravamento do défice das contas públicas.
Mas há uma coisa que me espanta: parece que ninguém se lembra do aviso de António Costa.
Para não ser acusado de sectarismo, resolvi perguntar à IA:
«António Costa avisou que o excedente orçamental acumulado serviria para fazer face aos tempos de crise que viessem. Verdade ou mentira?»
A resposta foi clara: verdade.
No seu discurso de despedida, em 27 de março de 2024, António Costa, ao referir-se ao excedente orçamental de 2023, afirmou:
«É preciso ter excedente para se poder não ter quando for necessário.»
E explicou a razão: há sempre imprevistos e crises, sendo necessário deixar margem de manobra financeira ao Governo que vier a seguir.
Recordou, entre outras situações, os incêndios de 2017, a pandemia de COVID-19 e a crise inflacionista provocada pela guerra na Ucrânia.
Ou seja, a ideia era simples: em tempos de maior estabilidade, acumula-se margem financeira para poder utilizá-la quando chegarem tempos difíceis.
É uma lógica que me parece difícil de contestar.
Por isso, fica a pergunta:
Se havia um excedente precisamente para que o Estado tivesse margem de manobra quando surgissem novas dificuldades, onde está essa margem agora?
Ou será que, afinal, o problema não é apenas a falta de dinheiro, mas também a forma como se escolheu gastá-lo?
Fica o lembrete.
Em resumo: O governo gastou à grande (esbanjou) e, agora que o tempo das vacas magras está no horizonte, está desorientado sem saber o que fazer.