sábado, 14 de fevereiro de 2026

ASSIM VAI PORTUGAL/TEMPORAL

 

DEPOIS DO COMBOIO DE TEMPESTADES, CHEGA A FATURA

Prevenção não é sorte. É governação.


Ninguém evita uma catástrofe natural.

Mas um país prevenido sofre menos quando ela chega.

Prevenção não é retórica — é planeamento, prudência financeira e visão estratégica.

Em 2023, o Governo de António Costa terminou o ano com um excedente orçamental de 1,2% do PIB — cerca de 3,2 mil milhões de euros, segundo o INE, tendo os dados finais apontado para um valor superior, acima dos 4 mil milhões. Existiu, portanto, margem orçamental.

Hoje, vários especialistas estimam que os estragos das intempéries possam rondar os quatro mil milhões de euros.

A coincidência numérica é, no mínimo, expressiva.

Entretanto, o atual Governo — da AD, liderado por Luís Montenegro — optou por avançar com medidas de impacto orçamental significativo num contexto político particularmente sensível. É legítimo perguntar se a prioridade deveria ter sido consolidar essa margem, reforçando a capacidade de resposta a imprevistos como o que agora enfrentamos.

Quando se falava em “contas certas”, falava-se precisamente disto: capacidade de resistência quando o inesperado acontece.

Hoje, essa promessa enfrenta um teste sério.

Impõe-se a pergunta: estarão as “contas certas” preparadas para absorver um choque desta dimensão sem derrapar?

Mas o problema não se resume só às finanças públicas.

Surge agora a rotura de um dique e o consequente alagamento dos prumos que suportam o tabuleiro da A1, na zona de Coimbra. Alguns técnicos referem possível falta de previsibilidade aquando da construção da autoestrada, nomeadamente na proteção estrutural dos pilares.

Convém recordar que a construção da A1 ocorreu durante um governo da AD, então liderado por Cavaco Silva.

Também no plano da organização do Estado surgem interrogações. O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, afirmou recentemente que “faltam níveis intermédios” na resposta às catástrofes, não apenas ao nível da Proteção Civil, mas também na coordenação política.

Ora, esses níveis intermédios existiram. Foram eliminados durante outro governo da AD, liderado por Pedro Passos Coelho.

Não se trata de culpar o vento ou a chuva.

Trata-se de perceber se as opções tomadas ao longo dos anos — financeiras, estruturais e organizativas — reforçaram ou fragilizaram o país.

A AD governou no passado.

A AD governa no presente.

E quando se governa, herda-se — mas também se responde.

No fim, porém, há uma verdade desconfortável:

a responsabilidade última é sempre nossa.

Somos nós, os cidadãos — detentores da soberania — que escolhemos.


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