sábado, 19 de novembro de 2016

FRANCISCO DE ANGOLA


Foto da internet
Este blogue não costuma, por princípio, tratar de questões de política pura e dura. Muito menos de se imiscuir na política de outros povos. Mas há momentos na vida em que uma pessoa não pode virar a cara para o lado e fazer de conta que não se passa nada e que tudo está bem.
Sentimo-nos naturalmente perturbados com o programa “A Grande Reportagem” da SIC, no telejornal das 20h, do dia 17/11/2016, “UM PAÍS RICO COM 20 MILHÕES DE POBRES”.
Não somos daqueles que veem só o lado mau das coisas, pois que, como em tudo na vida há sempre os dois lados, o bom e o mau.
À cabeça, quero começar por reconhecer o muito que os angolanos fizeram depois de alcançarem a paz em 2002. E tudo isto depois de duas guerras terríveis e consecutivas que duraram 41 anos (14 de Guerra Colonial e 27 de Guerra Civil)! Já aqui temos elogiado as melhorias das condições de vida que se verificam em alguns estratos do povo angolano e sabemos também que “Roma e Pavia, não se fizeram num dia”.
Aqui chegados, lembramo-nos do Aloquete (trabalhador do nosso Quartel em 1974, no Songo), quando lhe perguntámos o que pensava, ele, sobre o futuro de Angola (que, eu, com os meus tenros 22 anos, ingénuo, acreditava que ia ser radioso)? E, como resposta, ele, futurou: “Ó furriel, os ricos vão ficar mais ricos e poderosos, os pobres vão continuar a ser pobres”! Infelizmente, assim é, velho Aloquete, foste premonitório. Ao vermos o grito de desespero e de revolta do Francisco que, serenamente, nos diz: “prefiro morrer a calar-me”; ou daquele outro, “todos os santos dias, eu, vejo o meu povo a sofrer! Porquê? Se somos um país rico!”; e ainda aquele outro que com um ar de desespero diz: “Vivo na rua, como na rua, faço tudo na rua. Quando criança queria ser como o Cristiano Ronaldo, médico, mas… apenas consegui transformar-me num deficiente.” (não temos a certeza de ter citado corretamente porque o fizemos de cor, mas o sentido era este)!
Uma coisa, eu, sei Francisco: quando um povo é sujeito à fome, à falta de emprego, à falta de acesso aos cuidados de saúde, à tirania da corrupção, da injustiça e da repressão, aguenta algum tempo, mas não o tempo todo. E quando o povo perde o medo, atenção, corruptos e tiranos porque o desespero leva-o inexoravelmente à revolta e a gritarem:
 “Ontem apenas
fomos o povo a chorar
na sarjeta dos que, à força,
ultrajaram e venderam
 esta terra, hoje nossa.”
e “… como ela, somos livres,
somos livres de voar.”
(Ermelinda Duarte)
Assim foi connosco portugueses e com o povo chileno e tantos, tantos outros; veja-se o que se está a passar com os nossos irmãos brasileiros! O povo, sempre, mas, sempre vencerá. Porque a soberania é do povo e é o povo que decide em última instância o que quer para si. E quem não entender isto, terá o fim que merece.
Um abraço solidário, Francisco.




sexta-feira, 11 de novembro de 2016

11 DE NOVEMBRO

foto internet


"Perguntem às aves que cantam,
aos regatos de alegre serpentear
e ao vento forte do sertão:"
António Jacinto (poemas de 1961)



A TERRA PROMETIDA
Já lá vão mais de 40 anos (precisamente 41 anos) e ainda lhe sinto os cheiros: da terra, da savana, da mata, dos cafezais, dos rios e ribeiras, das mangas, dos mamões e dos abacaxis.
Quando deitado, não sei se durmo ou sonho, mas sei, isso sim que, de vez em quando, vejo a Lua com um tamanho desmesurado e uma cor que me aconchega e conforta; outras vezes, fecho os olhos e lá está aquele Sol cor de laranja, afogueado, na linha do horizonte, derradeiramente a arder por pouco mais tempo.
Recosto-me no sofá, encosto a cabeça e de pálpebras cerradas, de repente, vejo o Sol abrasador desaparecer; as nuvens negras tomarem de assalto o firmamento e o ribombar dos trovões largarem raios e coriscos por todo o lado; a água a cair em catadupas e a terra ressequida (como o rosto desidratado e sulcado pelas rugas das pessoas muito idosas) a engolir toda aquela tormenta com tanta sofreguidão que, logo, logo, se engasga e deixa que  se espraie num turbilhão pelo imenso sertão e, sem cerimónia, tudo arraste até encontrar as artérias caudalosas que a guia até ao Oceano Atlântico.

Este meu estado de espírito, diz-me a razão, é fruto do meu estado emocional, mas, diz-me mais: que se eu estiver num local tranquilo em contacto com a natureza, afastado de todo o stress destas vidas agitadas que levamos, hoje em dia, temos a oportunidade de pensarmos e  de encontrarmos respostas para as quais até agora não tivemos tempo. Uma vez aí (nesse meio-ambiente), o meu eu liberta-me para pensar mais com a emoção e este facto é para mim libertador. 

Ora o Songo, onde vivi 18 meses, é uma pequena vila situada num planalto entre as serras do Uíge e da  Mucaba, a norte do Uíge/Angola, perfeitamente inserido na natureza onde tudo estava em harmonia (guerra à parte). Será talvez por isso, que sinto, hoje, que esta é também a minha terra prometida (pois que dos angolanos o é  naturalmente)? Sim, porque quando me transporto (em pensamento) para lá, eu, sinto-me bem, sinto-me tranquilo, sinto-me em paz, sinto-me fortalecido capaz de fazer muitas coisas. Tudo. Nem que este "tudo" seja apenas olhar para os fenómenos da natureza, que lá se revelam de uma forma invulgarmente exuberante.

foto da internet
Vem, isto, a propósito do dia 11 de novembro, a Independência de Angola.
Dia em que o povo português transferiu para o povo angolano a soberania do território que vinha administrando há quinhentos anos.
Durante todos estes anos, os dois povos, foram caldeando relações, amizades e culturas que se tornaram indissolúveis.
Por tudo isto, quero dar os parabéns a todos os angolanos em geral e aos songuenses em particular, com um abraço fraterno.
Preservem a vossa independência, e estimulem a vossa democracia, para o bem comum.




sábado, 29 de outubro de 2016

PENSÃO A EX-COMBATENTES DO SONGO!!!

Não, não estou a delirar, é mesmo isto.
Não era este o post que tinha pensado para hoje! Mas, ao passar os olhos pelas “notícias do Songo”, dei com esta preciosidade:
Não é que os antigos combatentes de lá, do Songo, beneficiam uns, e estão a caminho de beneficiarem outros, isto é, de se corrigir um erro, recebem uma pensão pelo facto de o serem (ex-combatentes)! Ah! Songo! Songo!

Abstenho-me de fazer outro tipo de comentários para que, alguns, não digam que sou antipatriota. Leiam, camaradas de armas, a notícia que aqui transcrevo:


ANGOP
28 Outubro de 2016 | 15h57 - Actualizado em 28 Outubro de 2016 | 15h57
Uíge: Mais de 200 antigos combatentes beneficiam de pensão no Songo

Songo - Duzentos e 10 Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, do município do Songo, a 40 quilómetros a norte da cidade do Uíge, estão a realizar prova de vida para doravante beneficiaram de pensão.
Songo - Duzentos e 10 Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, do município do Songo, a 40 quilómetros a norte da cidade do Uíge, estão a realizar prova de vida para doravante beneficiaram de pensão.
O cadastramento dos candidatos à pensão começou nesta quinta-feira e está a ser orientado por uma equipa do ministério dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria que se deslocou ao município do Songo com este propósito.
Em declarações hoje, sexta-feira, à Angop, o director provincial dos antigos combatentes e veteranos da pátria do Uíge, Garcia de Carvalho Fanana, que acompanha os trabalhos, deu a conhecer que o sector que dirige controla a nível do município do Songo, 370 pensionistas que já recebem as pensões, associados com os dos municípios de Ambuíla, Bembe e Mucaba.
“Desta vez, a prova de vida é articulada tanto para os pensionistas como para os pré-candidatos ao recenseamento. São nossos elementos que trataram os processos há um tempo a esta parte, mas por várias razões não estão no processo de pensão”, explicou.
Acrescentou que durante o processo que decorre sob orientação superior, vai se destrinçar os pensionistas dos restantes municípios para cada grupo seja controlado na sua área de jurisdição, a julgar pelo crescimento vertiginoso de candidatos em todos os municípios da província.
Manifestou a intenção de no mês de Janeiro de 2017, se implementar os projectos ligados a agricultura e alfaiataria, com a plantação de grandes quantidades de bananal, mandioca, cana-de-açúcar, gergelim, feijão e outros com o apoio de uma máquina de lavoura, tendo em vista a contribuir na diversificação da economia e angariar  fundos para os pensionistas.
Anunciou igualmente, que os pensionistas do município do Songo poderão ser contemplados com habitações logo que a situação económica e financeira do país conheça melhorias.

O município do Songo é um dos 16 municípios da província do Uíge, contém 2.800 quilómetros de extensão, divididos por uma comuna, 13 regedorias e 81 aldeias e conta com uma população de 62.632 habitantes, segundo os dados do Censo de 2014.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

UM HUMANISTA NA ONU


imagem da internet
Porque sou cidadão do mundo, europeu, português e católico, não posso deixar de registar (hoje) este acontecimento tão importante para a Organização das Nações Unidas. Porquê? Pela transparência e clareza da eleição a Secretário-Geral desta Instituição. Cumpriu-se o prometido!
Pela primeira vez, na história deste areópago, a “porca da política”, que sempre andou por lá, esteve ausente. Embora à última hora “ela” tenha feito uma tentativa de vir emporcalhar o processo, mas, por fim,vingou o bom senso e ganhou a transparência e a Democracia.
Estou orgulhoso por este SENHOR, António Guterres, engenheiro de formação, ter sido o vencedor, e, logo, por aclamação, para Secretário-Geral da ONU! A primeira prova foi ganha com distinção.
Todos temos consciências que a parte mais difícil vai começar a partir do próximo dia 1 de janeiro de 2017. Mas, para além de todos os dramáticos problemas que o Senhor Secretário-Geral vai encontrara em cima da sua banca de trabalho, seja-nos permitido fazer-lhe um apelo: Não se esqueça dos povos de África em conflito; tantas vezes esquecido por todos nós e, até, a comunicação social que tão alto fala e escreve (e bem) quando os terroristas matam na Europa, muitas vezes se esquecem destes povos tão sofredores, vitimas do mesmo terrorismo.
Ah! E a fome que mata trezentos e cinquenta milhões de crianças, por ano, no mundo.
Um bom mandato, cheio de êxitos, para o bem da humanidade são os nossos votos, Senhor Secretário-Geral das Nações Unidas (deste Mundo tão desunido).  




sábado, 8 de outubro de 2016

Mufututu

Monumento aos fundadores do  SONGO
Voltei de novo ao Blogue!
Mentiroso, troca-tintas, o que quiserem. Mas quando escrevi: “Com esta notícia dou por terminado este blogue. Como em tudo na vida há sempre um princípio, meio e fim. Sinto que já não tenho nada mais para dizer e, quando assim é, o melhor é ficarmos calados. Agradeço a todos os que visitaram o blogue e em particular abraço os que tiveram a generosidade de intervir. Quem sabe um dia destes nos encontraremos noutro local para falarmos de outros assuntos.” Não disse, como alguém, que esta minha atitude era irrevogável. Assim, sinto-me legitimado a voltar (a pedido de vários camaradas, amigos e leitores do blogue) ao vosso convívio de que tanto gosto.
E, para este regresso, nada melhor do que esta linda lenda que descobri no “RA - Rede Angola” escrita por Pedro Cardoso, a propósito da lagoa do Mufututu, no Quimacuna, Songo. Achei-a deliciosa!
“ Songo
Estamos em terras do antigo Reino do Congo e toda essa sabedoria, lendas e histórias vêm de tempos lá muito atrás.

As histórias mágicas do norte do país mergulham bem fundo nas lagoas do Songo. As lendas do Uíge são ancestrais e passam de boca em boca desde quando os tempos eram coisa sem calendário. A vila cafezeira do Songo é o lugar de cidades inundadas e luzes misteriosas no fundo de águas claras.
A tradição do norte é coisa muito própria. Estamos em terras do antigo Reino do Congo e toda essa sabedoria, lendas e histórias vêm de tempos lá muito atrás. A província do Uíge é parte desse todo que foi poderoso e que ainda hoje tem uma força cultural intensa.
A noroeste da capital da província, está o Songo. Vila de recente fundação. As terras que hoje conformam o município só foram reconhecidas oficialmente como posto administrativo colonial em 1923, a 4 de Abril. Contam que o lugar foi fundado por um português, António Cordeiro de Oliveira, que ali chegou uns anos antes, em 1919. Não se sabe ao certo de onde vinha, se ali chegou em deambulação ou com missão explícita de reforçar a presença colonial na região. A 27 de Julho de 1960, o Songo foi elevado a vila, impulsionada pela produção de café nas suas terras. Por estes anos o Uíge era uma potência cafeicultora mundial. Um monumento ao café relembra a quem visita o Songo a sua vocação que, pouco a pouco, vai renascendo.
O Songo é dessas vilas pequeninas em que Angola ganha outra cara. Talvez mais real e pé no chão. Sem alaridos nem maquilhagem desnecessária. Directa e sincera, como as suas gentes. E com sabores tão nossos como a nfumbua ou a kizaca. Uma volta pela sede municipal é uma visita a um passado não tão distante, feito de casas comerciais de colonos, de edifícios rústicos e sóbrios de lugar agrícola. Centro Turístico Esta é a história oficial, com H grande, linha de tempo bem horizontal e com direito a referências de almanaque. A outra história é bem diferente. Escrita com letras grandes do princípio ao fim, conta os murmúrios que esvoaçam, tipo brisa, por entre as moreiras, pau-preto, mucambas, muanzas, takulas e tantas outras árvores que se fecham em selva nestas terras altas da província.
É a uns quilómetros do Songo, no lado direito da estrada entre a vila e Ambuila, que se revela um outro lado deste lugar. A tradição aqui surge em forma de lagoa. Mufututu, chamam-lhe. As histórias fantásticas sobre este ponto de água cristalina, bem pertinho da aldeia de Quimacuna, são de arregalar os ouvidos. Contam que lá em baixo das águas cristalinas há uma gruta de onde saem bagres já fumados ou cozidos. O estranho fenómeno terá sido descoberto em 1922 ou 1923 pelo mais-velho Nkelani.
Esta lenda que os habitantes de Quimacuna juram ser verdade-verdadeira, foi contada em voz viva pelo mais-velho Mateus Domingos ao Jornal de Angola, numa visita do jornalista José Bule ao local. Atordoado pelo fenómeno, depois de descobrir a lagoa, o parente Nkelani voltou a Quimacuna, perseguido por dois porcos. Antes de morrer subitamente, teve uma visão onde os bagres lhe pediam que ninguém entrasse na lagoa. Desde então, não há vivalma autorizada a pescar ou mergulhar naquelas águas.
Os sonhos e visões nunca mais cessaram. Dizem que sempre que algo importante está prestes a acontecer, os bagres mergulham nos sonhos dos sobas da aldeia, como alerta ou anúncio. As lendas sobre este lugar mágico, a apenas 47 km a norte do Uíge falam também que na lagoa vivia a Mãe Bagre. Um dia, incomodada pelas obras na estrada que passa ali ao lado, a progenitora de todos os peixes da região foi viver para a lagoa Dimina, comuna de Kinvuenga. Não sem antes se despedir do então soba de Quimacuna, Miguel Nsanga, num sonho em que pediu que os habitantes da aldeia cuidasse dos seus filhos.
Com ela, desapareceu também um dos outros grandes mistérios do Mufututu. Contou o velho Mateus Domingos a José Bule que antes havia uma enorme cidade dentro da lagoa que só era possível visitar, uma vez observada uma cerimónia ritual. “Depois da mãe dos bagres mudar de residência, a cidade desapareceu e agora só se vê uma luz verde lá no fundo”. Palavras do mais-velho.
A força dos antepassados aqui é forte, e não há que pôr em causa as histórias de quem realmente conhece a terra e vive lado-a-lado com os mistérios que ela encerra. Se gostar de viajar pela mágica tradição do nosso país, numa paisagem natural de beleza densa e verdejante, o Songo é lugar ideal.
 Como ir
O Songo fica cerca de 50 km a norte da cidade do Uíge, na via que liga o corredor Negage e Uíge.”
Maravilhosa! Não é? Dos portugueses que andaram por estas terras, quem conhece esta lagoa?



domingo, 26 de junho de 2016

CONVÍVIO


Pois foi: mais um encontro, mais um convívio, mais uma festa. Desta feita na Invita Cidade do Porto, ali mesmo na Maia.
Desta vez com a presença de um amigo do Songo e da Cart 6553! O senhor Major-General Fernando Paula Vicente, que se quis associar a nós e, desta feita, deu um toque cultural ao nosso encontro (pois que nem só de pão vive o homem),
tendo-nos apresentando o seu livro "ANGOLA COLONIZAÇÃO DESCOLONIZAÇÃO", seguida de uma sessão de autógrafos, fazendo assim, que cada camarada que adquiriu o livro passe-se a fazer parte integrante desta obra que também ela está ligada ao Songo. Obrigado Major-General.
Um grande abraço ao Pedro (mecânico), que pela 1.ª vez apareceu. Foi uma alegria vê-lo juntar-se à Companhia, bem-vindo companheiro.

As (Os) caras da Comissão
À Comissão Organizadora um forte abraço pela forma como nos receberam, com um cumprimento especial ao Buraquinho que até nos foi buscar à Estação da CP, pondo para o efeito o seu próprio carro ao nosso serviço. E, temos de lhes dar a taça! Pela ementa, pelo serviço, pela qualidade e fartura do repasto. A vós, bem-haja camaradas.
A todos uma saudação calorosa que inclui os ausentes (sempre presentes no nosso pensamento).

O próximo encontro ficou marcado para o dia 24 de junho de 2017 em AVEIRO. Comissão Organizadora: Matos Silva e Neves.

Nota final: cada um de nós deve ir pensando quem e onde quer organizar o encontro de 2018, depois elegeremos a proposta que mais agradar à maioria.




quarta-feira, 29 de julho de 2015

Parabéns Songuenses

ASSIM ERA A AVENIDA PRINCIPAL DO SONGO EM 1975


O povo do município do Songo esteve em festa durante os últimos três dias. A razão do evento é a comemoração dos 55 anos da elevação a Vila Municipal. Esta terra foi fundada pelo Sr. António Cordeiro de Oliveira, que em 1919 avançou sozinho para o sertão angolano do Reino do Congo onde assentou arreais e assim deu início à povoação do Songo. Embora só a 4 de abril de 1923 tenha sida elevada à categoria de Posto Administrativo foi no dia 27 de julho de 1960 elevada a Vila Municipal.

Segundo o programa das festas, foram feitas várias inaugurações de caris social: sistemas de abastecimento de água potável, escola e posto de saúde. Estes equipamentos melhoram substancialmente a vida dos povos de várias localidades do município.
A festa dura três dias – acaba hoje – com vários atrativos culturais e desportivos. Do programa consta ainda a realização de uma Feira sobre a gastronomia local, outra da banana e por último uma exposição fotográfica.

Este município tem mais de 63 mil e 362 habitantes e situa-se a 40 quilómetros a Norte da cidade do Uíge, Capital de Província, com uma extensão territorial de 2.800 quilómetros quadrados. O Songo subdivide-se numa comuna – Kivuenga –, 13 regedorias e 81 aldeias.

Com esta notícia dou por terminado este blogue. Como em tudo na vida há sempre um princípio, meio e fim. Sinto que já não tenho nada mais para dizer e, quando assim é, o melhor é ficarmos calados.
Agradeço a todos os que visitaram o blogue e em particular abraço os que tiveram a generosidade de intervir. Quem sabe um dia destes nos encontraremos noutro local para falarmos de outros assuntos.
Até sempre,
A. Magalhães

domingo, 28 de junho de 2015





CONVÍVIO 2015







O azimute, desta vez, levou-nos à cidade dos estudantes e ali bem em frente da Igreja de Stª Clara - a - Velha, debaixo de um refrescante salgueiro, demos os ossos aos abraços. Daí dirigimo-nos para o restaurante e, como habitualmente, fizemos um minuto de silêncio homenageando os camaradas que deste mundo se libertaram e após este singelo ato, demos início ao repasto.








De realçar a forte presença de senhoras 






A 3.ª geração simpaticamente representada, desta feita, pelo João.





A já habitual presença do Rui – membro honorário e consequentemente o mais novo da CART 6553.





Circunspetos, mas muito jeitosos





OLHA QUE DOIS







Que casal tão simpático

Serenidade e felicidade














O que estarão eles a pensar?







A ternura dos sessenta













Aqui há coisa...













De certo a falarem de negócios?










Observador


















Que pinta de médico, ou de enfermeiro?







Olha quem é ele! Como sempre a mandar vir, com quem? não sei. Mas é bom rapaz.

Eu sei que faltam aqui alguns, mas ou porque são feios como eu e não cabem nesta moldura de gente tão bonita, ou porque estão em contra luz e eu não sei fazer melhor. Prometo que na próxima vez me esforçarei para fazer melhor.

Por último um forte abraço ao nosso anfitrião, ex-furriel Gomes (o chefe da ferrugem), que tão briosamente nos recebeu. Bem-haja camarada.


O próximo encontro realizar-se-á no último sábado de Junho de 2016, na mui nobre e leal cidade do Porto. A equipa coordenadora desse encontro: Magalhães (o do Porto), Ferreira e Buraquinho.

Um grande abraço, que se estende aos ausentes, do A. Magalhães





sexta-feira, 24 de abril de 2015

25 ABRIL

Imagem retirada da net
SEQUELAS DA GUERRA FICAM PARA O RESTO DA VIDA

Ao comemorarmos o quadragésimo primeiro aniversário do advento da liberdade, importa que uns não esqueçam e outros saibam que antes do 25 de abril de 1974, o nosso país vivia uma situação de guerra em três frentes: Angola, Moçambique e Guiné-Bissau; não tínhamos liberdade de expressão, de voto e de mais umas tantas coisas essenciais que não vou tratar neste texto para não levar o leitor a desfocar do que quero, neste dia, tratar aqui.
Os resultados nefastos da guerra colonial: 140.000 ex-militares afetados pelo stress pós-traumático devido aos horrores da guerra e, destes, um grande número – aponta-se para mais ou menos 40.000 – estão, felizmente, ainda vivos. Vivos, mas… a sofrer e a fazerem sofrer os seus familiares mais próximos: esposas, filhos e netos.
Estas pessoas, vítimas da guerra, necessitam urgentemente de ajuda a nível psicológico e financeiro.
Talvez valha a pena lembrar que, aqui há uns anos, um Ministro (político que à custa de ser irrevogável hoje é vice-primeiro-ministro) fez questão de atribuir uma pensão aos combatentes do ultramar. Já então este subsídio era uma ninharia, hoje, com os cortes sucessivos que tem sofrido, é ridículo. Assim, sugiro que este miserável subsídio, atribuído a cada um dos ex-combatentes, seja canalizado para um fundo (muito pouco junto, muito é), ao serviço do apoio e tratamento destes ex-combatentes, minorando e suavizando um pouco o sofrimento destes homens que, aliás, têm direito absoluto a este tratamento, porque um dia a Pátria lhes exigiu que fossem lutar em seu nome. Hoje a mesma Pátria não os pode ignorar, como está a fazer, aproveitando-se do facto de estas pessoas sofrerem em silêncio. E, já agora, que não façamos como vai sendo hábito. Veja-se o que está a acontecer com as pensões de reforma, de sobrevivência, subsídio de desemprego e por aí adiante. Empurra-se para a frente com a barriga, o tempo passa e daqui a uns anos o problema da Segurança Social está resolvido; num país envelhecido e cada vez mais envelhecido, deixa-se que o problema se resolva com a inexorável lei da vida – as pessoas morrem e o problema, qual problema, já era.
Comecei por falar deste grupo por ainda estarem vivos, mas não posso deixar de lembrar os que ficaram estropiados, que na época eram 20 mil jovens, e, naturalmente, homenagear os 8.331 jovens heróis que faleceram ao serviço da Pátria, que é a nossa Pátria.
Por último, saudar os militares de ABRIL que naquela madrugada ousaram pegar em armas (que o povo nas ruas encheu de cravos vermelhos), e derrubaram uma ditadura caquética, bruta pelo sofrimento que a sua política causou e burra por não ter tido a capacidade de aprender com a História, e assim puseram fim à guerra colonial.


A.M.

domingo, 12 de abril de 2015

Notícias de Lisboa/Songo

A propósito do último post deste blogue, hoje, apetece-me dizer que nem só de austeridade vive um povo: desemprego, cortes nos salários, cortes no Serviço Nacional de Saúde, cortes nas reformas e pensões, cortes na cultura, na educação, cortes nos feriados, aumentos dos transportes, da água, da eletricidade, etc. etc. etc., assim não se constrói um país. Não. Tudo isto é muito mau para uma Nação.
Um povo que através da sua resiliência de trabalho e cultura já leva quase novecentos anos de independência sem se deixar quebrar, por mais forte que seja o jugo – podemos vergar mas não quebramos – e a prova disso é que todos os dias são publicadas obras de todas as áreas do saber e do fazer.
Mas hoje apraz-me, aqui, publicitar a obra de um amigo do Songo, Fernando Paula Vicente, “ANGOLA COLONIZAÇÃO DESCOLONIZAÇÃO”, numa edição do autor e que agora está à venda também nas livrarias da FNAC.
Ainda não li o livro mas vou adquiri-lo rapidamente, como não podia deixar de ser. A capa contém a síntese da obra e independentemente de estar de acordo ou não com o que leio há porém a biografia do pioneiro do Songo: ANTÓNIO CORDEIRO DE OLIVEIRA, “que em 1919 avançou sozinho para o sertão angolano do Reino do Congo onde fundou a povoação do Songo (Uíge), hoje um concelho com 60 mil habitantes, que se veio a tornar compadre do próprio Rei, envolta na História de Portugal e de Angola ao longo do século XX.”.
Só por isto, do meu ponto de vista, vale a pena comprarmos o livro e ficarmos a saber mais um pouco desta terra  Songo  que um dia por esta ou aquela razão também foi a nossa terra.
A. Magalhães