quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

ABSTINÊNCIA

PROBLEMAS DE ANTANHO E DOS NOSSOS DIAS LEVANTADOS PELO CELIBATO
Começo estas linhas, de humilde opinião, por dizer que só recebe o Sacramento de presbítero, quem de livre vontade o deseje. Logo, um homem quando aceita ser padre, sabe ao que vai.
Posto isto, há que reconhecer que Deus fez os homens/mulheres seres sexuados com todas as consequências inerentes ao género humano. Assim e decorrendo deste princípio, todo o ser humano vive em tensão sexual iminente, o que faz que seja muito difícil, (talvez até impossível), ele resistir à atração e estímulo sexual que o outro exerce sobre si.
Cada vez que a Igreja fala sobre sexualidade, mais se afunda no buraco que abriu quando no ano de 306, no Sínodo de Elvira - Granada, na então Espânia romana, onde estiveram os Bispos espanhóis e portugueses - impôs o celibato e o referendou definitivamente, no Concílio de Terento (1545-1563). Criou, com isto, um problema moral à Igreja que se arrasta até aos nossos dias. Esta realidade é de tal monta que, o Papa Francisco há pouco tempo, se viu na necessidade de, através de um decreto, afirmar que, homossexuais não podem ser padres.!
E os heterossexuais podem, pergunto-me? Heterossexuais ou homossexuais, sejam eles o que forem. A questão da moral mantém-se.
O facto de os Cardeais pertencerem às gerações mais velhas e por isso não possuírem já o impulso sexual dos mais novos e, também, porque a idade faz de nós conservadores por natureza, leva a que já não estejam tão predispostos para este debate que as sociedades estão a fazer. Não quer isto dizer que não entram no debate, não. Eles estão lá, como é óbvio. Mas não o fazem com o espírito reformador da juventude.
Atente-se também, na falta de novas ordenações de sacerdotes - na atualidade - há, até, zonas do país onde se ordenam mais diáconos residentes (casados) do que padres! Aqui está, dentro da Igreja, outra grande razão para a Instituição ver e meditar na questão  e, quem sabe, com a graça do Espírito Santo,  se venha a renovar mais cedo do que é suposto pensarmos. Mas, por enquanto é infelizmente, mais uma vez, a Igreja a deixar-se ultrapassar pelos acontecimentos.
A meu ver este problema só deixará de existir quando a obrigação do celibato for revogada e os padres poderem em condições de igualdade, com as outras pessoas exercerem a sua sexualidade livremente - dentro dos princípios morais da sociedade - podendo, os que entenderem serem castos e os que, também,  o entenderem, serem heterossexuais ou homossexuais.
O que o clero não pode ter dentro de si, pelo mal que isso faz às crianças, ao nível psicológico de destruturação do equilíbrio emocional e sexual em formação e que, se irá projetar pela vida fora destes seres, é pedófilos; até porque não é permitido, e bem; por isso, estas pessoas devem ser reprimidas pelas leis em uso nas sociedades.
Penso mesmo que é este o real problema da Igreja. E ele só será, parcialmente, resolvido quando a Igreja o denunciar publicamente, de imediato, logo que dele tenha conhecimento. Esta atitude de clara reprovação, irá desincentivar a prática destes atos, que tenhamos em atenção, tratam-se de pessoas doentes, que devem ser reprimidas mas também tradas, sempre que possível.
Como católico tenho a certeza que Deus quando criou o homem o fez sem este tipo de restrições. Fê-lo sexuado para se reproduzir, ser feliz e ponto final parágrafo.
PS: melhor fora que a Igreja, ao invés de andar a aconselhar o povo sobre como deve exercer a sua sexualidade, refletisse sobre esta matéria adentro portas. Seria mais prudente e humilde.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

CASA DE FERRO

Foto: Internet

Quem se lembra desta casa tão bonita? - O Palácio de ferro de Luanda - pode ter sido desenhada por Gustav Eiffel, não se sabe, mas do seu gabinete é de certeza. Toda a estrutura do belíssimo rendilhado em ferro tem a chancela de Eiffel, disso não há dúvida. Calcula-se que a sua construção remonte ao vetusto ano, mais ou menos, de MDCCCLXXXVIII do séc. XIX em França. O mar a levou, ao que se diz, para Madagáscar e o destino fê-la dar à costa em Luanda.
Os angolanos tiveram a inteligência de a recuperar e ei-la no seu esplendor máximo. Segundo li, esta jóia da arquitetura, predestina-se, no futuro, a Museu do Diamante. Não parece mal, os brilhantes querem-se com jóias.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

MARIA LUA NO RIO LUCUNGA

 
(...) Montada a segurança à ponte em construção já adiantada, sobre o rio Lucunga, e ao contrário do que era habitual, decidi ir dar um giro sozinho na margem esquerda do rio; a dada altura parei junto à água numa zona em que o rio fazia uma curva à direita e onde existia areia que era acariciada pelos ramos dos cafeeiros, ao ritmo da suave aragem que se fazia sentir. Aí sentei-me, peguei num pauzinho e entretive-me distraidamente a mexer na água. Os meus pensamentos vagueavam até ao povo Quimacuna, mais precisamente até Maria Lua, até que, de repente, um leve ruído fez-me estremecer, levantei-me e fiquei de atalaia com a arma em posição de fogo. Então uma bela égua castanha com uma estrela branca na cabeça aproximou-se! Olhei admirado para o animal, quando do nada, vi materializar-se, do outro lado do animal, Maria Lua!
- Não pode ser... abri e fechei os olhos várias vezes para me certificar de que não era uma visão, mas não.Era mesmo ela!
 De baixinho, e antes de mais nada, disse-me Maria Lua:
- É necessário teres mais atenção, nunca se sabe quando e quem aparece, não é, militar? Esta terra é grande, mas não tanto assim... E quando queremos tudo é possível. - Após o que me ofereceu um lindíssimo sorriso com um enorme brilho nos olhos, deixando-me zonzo.
- Boa tarde Maria Lua!
- Chiiiiiiuuu, - soprou ela, ao mesmo tempo que levou o delgado dedo indicador aos seus belos lábis - podem ouvir-nos!
Aproximei-me dela, e antes que pudéssemos dizer mais alguma coisa, abraçámo-nos e as nossas bocas unirem-se num beijo sôfrego até nos deixarmos cair e rolar na fina areia. Acariciámo-nos à descoberta do corpo um do outro até que, com movimentos animalescos, arrancámos as roupas e rebolámos para dentro da água onde num frenesim de beijos e carícias, acidentalmente, fiquei sentado e reclinado numa cova da rocha, que mais parecia um banco esculpido, anatomicamente, pela água ao longo dos séculos e onde o meu corpo se encaixou na perfeição. O rio continuava a correr indiferente à nossa voraz volúpia e suavemente tapou-nos a nudez.  Maria Lua sentou-se no meu colo e ambos nos perdemos na voracidade da paixão num jogo sensual de mãos e boca. até que, ela, deu início a um bailado rítmico - só comparável à dança do merengue - e iniciámos uma luta carnal que nos entorpeceu os sentidos enquanto um turbilhão de emoções tomou conta dos nossos cérebros; os corações dispararam e as têmporas quase rebentaram. Amámo-nos até que uma explosão de fluidos se misturou com a límpida água que caminhava indiferentemente em direção ao mar, deixando-nos prostrados por largo tempo.
Agora mais calmos e senhores dos nossos sentidos, éramos já capazes de sentir o frio da água que, nos despertou e arrastámo-nos para a margem; abraçados adormecemos cobertos por um dossel de cafeeiros e guardados pela égua que, amarrada pela trela a um ramos, se manteve de sentinela.
 Quando acordámos, sem sermos capazes de articularmos uma palavra, voltámos a amar-nos e tudo se repetiu da mesma forma intensa, carnal, animalesca, num desejo incontrolável que nos impelia um para o outro sem necessidade de diálogo que não fosse o dos corpos, e por ali ficámos amando-nos, descansando e tornando a amar-nos, até que ao final da tarde uma buzinadela - que chamava por mim - nos despertou da letargia entorpecedora a que o sexo induz e nos obrigou a voltar à realidade. (...)

E o resto...? Bom, meus caras, têm que ler o livro, se ainda o não possuem, no próximo convívio em Foz Côa, lá estará à vossa disposição, ou contactando-me por e-mail ou TM.
Não esquecer que o encontro será no próximo dia 30 de junho (sábado) de 2018, em Vila Nova de Foz Côa.


terça-feira, 26 de dezembro de 2017

CART - 6553

Com o Advento, chegou até nós, também, o nosso camarada JOSÉ RIBEIRO. Encontrou-nos através do blogue, lá das terras gaulesas onde trabalha! Mandou-nos esta foto assinalada para que o reconheçamos e que abaixo se publica.
Cart 6553 - 1973/75, no Songo, Angola

Foi com alegria que recebemos esta boa-nova. E é com expectativa que aguardamos a sua presença no  próximo encontro em VILA NOVA DE FOZ CÔA (último sábado de junho de 2018).

A TODOS UM BOM ANO NOVO, com muita saúde, o resto virá por acréscimo.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

IPSS

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Imagem da Internet
IPSS-INSTITUICŌES PARTICULARES DE SOLIDARIEDADE SOCIAL (SEM FINS LUCRATIVOS), veja aqui. Ora quem funda uma instituição destas, com estes princípios, fá-lo com altruísmo e abnegação, logo, dando o melhor de si ao serviço dos mais fracos, desprotegidos, enfim, dos mais necessitados.

A par das IPSS há outras Instituições: Santas Casas, Bombeiros Voluntários, Fundações, Casa dos rapazes, não me ocorre outras, mas existam mais e todas têm os mesmos princípios e todas, ou quase, sendo privadas, recebem verbas do Orçamento Geral do Estado. É até vulgo ouvir dizer: "Nós somos Instituições particulares, o Estado, aqui, não mete o bedelho". Pois, mas mete lá dinheiro, muito dinheiro, em 99,9% delas. E, por isso, o Estado audita, anualmente, as contas destas Instituições, vamos dizer assim, os números grandes, não o faz, ao detalhe, fatura a fatura, isso acontece quando há uma inspeção, mas não é possível ter um inspetor em cada Instituição, elas são, em Portugal, mais de 10.000.

Estas pessoas, que fazem parte dos corpos dirigentes e que são voluntárias, merecem o nosso maior respeito e admiração. Estão, por isso, isentas de crítica? Não. De escrutínio? Não. Podem eles(as) fazer o que fez a Senhora da Raríssimas? Podem! Ela fê-lo. Mas não devem. Desde logo, pelos princípios que os levam a fundar ou a integrarem os Órgãos Sociais destas Instituições e, depois, porque a moral social o condena.

A propósito do caso da Raríssimas, veio ao de cima tudo aquilo que temos de pior.

A maioria dos media arroga-se estar na vanguarda do escrutínio social (ainda que, muitas vezes o faça de uma forma devoradora, trituradora, qual ventoinha que espalha m.... Por todo o lado sem olhar a ninguém), enfim, nada contra, antes pelo contrário, o princípio social da informação - a que todos temos direito - isenta, rigorosa, objetiva e com ética. Mas tudo contra a chafurdice da vida privada das pessoas. Destroem-se seres humanos, carreiras, instituições, tudo vale na voracidade de 'eu' dizer mais e pior do que 'tu'; pois só assim as audiências aumentam e consequentemente as vendas; e aqui é que reside o busílis da questão, todos andamos à cata dele - o vil metal - mas não pode valer tudo.

Este tipo de achincalhamento constante a estas pessoas que querem servir causas sociais - inclua-se aqui os políticos e os árbitros -, vai levar a que um destes dias, pessoa alguma queira fazer este trabalho na sociedade. É que ninguém merece ser tratado como a pior das ratazanas a quem se chama de tudo, de tudo, mesmo. Só porque as pessoas se propõem desempenhar um cargo social, remunerado ou não. Não é admissível. Não pode ser assim. A continuarmos neste trilho, estes lugares serão ocupados, cada vez mais, pelos menos aptos num futuro próximo. Pois só, mesmo, um inapto pode deixar-se chamar de filho da ... para cima e de ladrão para baixo, isto para só citar alguns dos impropérios com que são "mimoseadas" estas pessoas, porque o rol é muito maior e mais indecoroso.
Haja decoro e um pouco de decência. Já que o respeito é um valor que parece ter ido de férias.

Ainda no caso da Raríssimas, o que esta pessoa não pode é ser pura e simplesmente destruída na praça publica e, o que é pior, a Instituição, porque a montante há todo um trabalho merecedor de louvor que esta Senhora fez em prol das pessoas que frequentam a Instituição e, que dela - Instituição - dependem, por não haver outra que a substitua, uma vez que o Estado não chega lá. Isto não quer dizer que a Senhora não deva ser severamente condenada, socialmente e criminalmente (se for caso disso) pelos erros/asneiras que fez. Os deslumbramentos em regra levam a isto e têm custos pessoais muito elevados. Mas uma árvore não faz a floresta. É, pois, muito importante que os bem-feitores que tão generosamente têm contribuído com dinheiro ou géneros, o continuem a fazer sob pena de castigarem as crianças e adultos que tanto necessitam desta Instituição.

Nas horas más é que se agigantam os melhores de entre nós.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

É TEMPO DE NATAL

Imagem: Internet
Este tempo de Advento que vivemos, prepara-nos para a vinda - a chegada de Jesus.
Ele amolece os nossos corações, torna-os mais recetivos e harmoniosos ao espírito de Natal.
Com ele, vem também, o final do ano. E que ano tão conturbado!

Que os homens neste tempo da família, pensem nela e tudo façam para a proteger:
Acabemos com as guerras, as violências, os egoísmos, a fome e a pobreza;
Respeitemos a humanidade, os valores e os ambientes...

Que o novo ano abra as nossas mentes à educação, à inovação e ao desenvolvimento sustentado;
À partilha do trabalho, à compreensão, à tolerância e à ajuda de boa vontade.
A toda a humanidade, um bom e Santo Natal e um muito próspero Ano Novo.

Particularmente:
  A TODOS OS QUE SERVIRAM NA CART 6553/ SONGO
  AO SONGUENSES
  AOS PORTUGUESES



terça-feira, 28 de novembro de 2017

MACHIMBOMBO

Veja se sabe esta que me foi enviada pela minha amiga, Fátima Consciência 
Publicada: CIBERDÚVIDAS
Maximbombo é uma palavra portuguesa que significa elevador mecânico, mas que caiu totalmente em desuso em Portugal – mas, como se refere nesta anterior resposta, de uso corrente em Angola e em Moçambique.
O que se transcreve em baixo é a história – e a morte – do antecessor do emblemático elétrico 28 de Lisboa, conforme notícia da revista Ilustração Portuguesa n.º 386, em 17 de julho de 1913. Chamava-se, então, "Machimbombo da Estrela".
E, do que dela pelo menos parece legítimo concluir, é a comprovação de que a palavra machimbombo, provinda do inglês machine pump, já se usava em Portugal no início do século XX.



sexta-feira, 17 de novembro de 2017

ÁFRICA, VENTOS DE PURIFICAÇÃO ?


Sopraram ventos de mudança em África.

ANGOLA
Em Angola, o homem que os angolanos colocaram, através do voto, na cadeira da presidência, tem dado bastos sinais de mudança.
Está, agora, a meio dos míticos cem dias e já varreu com as cúpulas das empresas mais significativas do país! É obra.
Esperamos que os ventos, que parecem puros, e que sopram, lá da cidade alta, venham arejar as mudanças em curso e que sirvam, em primeiro lugar, para melhorar as condições de vida do digno e martirizado povo angolano; em segundo lugar, para reforçar e melhorar as relações com os povos de todo o Mundo e, porque somos portugueses, para que acabem os mal-entendidos que têm existido entre os nossos governantes e que se estabeleçam relações em plano de igualdade, fraternidade e amizade que, aliás, sempre existiram entre os povos das duas nações, pese embora os amuos dos poderosos.

ZIMBABWE
O Zimbabwe definhou, por obra de um presidente /rei absolutista e déspota.
Que os ventos que hoje sopram de Harare, sejam bons ventos e que, também aqui, sirvam para melhorar as condições de vida deste povo sofredor que bem o merece.
Um homem com 94 anos, não tem condições físicas (...) para se governar a si próprio e, por maioria de razões, um país. E não é reconhecido (Ao que parece também no Zimbabwe) às primeiras damas, governaram um povo em nome dos seus maridos.
Por falta de notícias, não convém que nos alarguemos em comentários de que mais tarde nos possamos vir a arrepender. Atrevo-me, no entanto, a desejar que os militares façam neste país, o que os militares portugueses fizeram, em 25 de abril, de 1974, em Portugal.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

ECONOMIA DE MÃE... OGE

Imagem da net
Uma lição de vida
Enquanto crescia, ouvia a minha mãe dizer – querida mãe que não tinha a quarta classe – «que não podíamos gastar mais do que  aquilo que recebíamos, e se recebíamos dez, só podíamos gastar nove». 
Hoje, em minha casa, eu e a minha mulher, que, por acaso, ou talvez não, também ouvia dizer isto à sua mãe, seguimos este ensinamento e não nos temos dado mal. Ah, sim, claro que não nos esquecemos de o passar à filha.
Pensava (eu) que esta máxima também se aplicava a quem gere um país. Até por maioria de razões, pois o dinheiro do estado é do povo e não de quem o governa.
Porém, ao tomar conhecimento do Orçamento Geral do Estado, 2018, deste nosso país – Portugal – fiquei pasmado. Não é que tudo o que se ganhou este ano foi-se todo e, olhem, que foi muito, até sobraram mil milhões de euros de receita, acima da despesa! Não. Não sei o que isso é, mas é muito; e aqui é que começa a minha burrice, pois não é que ao invés de se aforrar metade e, vá lá, com a outra metade se alargasse o cinto… Mas não, gastou-se tudo! Sim, lá se foi tudo nesse alargar de cinto.
E se amanhã nos acontecer alguma coisa, ou pior, já aconteceu: metade do país ardeu e há mil casas e quinhentas empresas para reerguer, e com que dinheiro o vamos fazer? Vamos pedir emprestado? Mas, outra vez! Será que temos mesmo dificuldade em compreender as coisas! Como é possível, no século XXI, e com tantos estudos, não percebermos aquilo que as nossas mães e as nossas avós, dos séculos XX e XIX, a maioria delas sem a quarta classe e muitas sem saberem ler nem escrever, sabiam, percebiam e aplicavam aquela regra básica na gestão orçamental doméstica, quando tinham dinheiro, é claro! Qual é a parte da equação que os nossos governantes não entendem?
Será que estamos condenados a periodicamente (o que vem acontecendo desde, pelo menos, 1892) andarmos de mão esticada, por esse mundo fora, a pedir dinheiro emprestado?
Não. Eu não o quero, para mim, para os meus filhos e para os meus netos, basta de vergonha e de apertos de cinto.
Estou aposentado há 13 anos e desde que me reformei nunca mais fui aumentado e, pior, com a crise até me levaram algum dinheiro; mas entendo perfeitamente que perante esta catástrofe que nos atingiu tão violentamente, não me aumentem por mais um ano, e com esse dinheiro se acuda às pessoas que sofreram (sofrem) com os incêndios e, no próximo ano, então se proceda aos aumentos a que tenhamos direito. Ninguém morria por isso. E com isto se geria (a meu ver), inteligentemente, por um lado, as exigências da União Europeia no cumprimento orçamental - garças a Deus, é-nos exigido isto, o que seria se não existisse a UE? – por outro, as dos parceiros da coligação que, legitimamente querem agradar ao seu eleitorado, dando-lhes mais dinheiro.
Mas ao governo compete-lhe gerir com inteligência, sensibilidade e mestria a coisa pública, dentro destes parâmetros a que, aliás, se propôs.
Se assim não for, e parece que não o é, resta-nos esperar que a conjuntura nos ajude e os nossos governantes entendam, por uma vez, que não se pode governar a qualquer custo, e olhem, com olhos de ver, para além do umbigo.

Desculpem a minha irritação.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

PORTUGAL DEU UM MERGULHO NO INFERNO

E não é que o diabo andou mesmo por aí!
De tanto gritarem por ele, o satanás chegou com a primavera (...)! Raposa velha sentou-se no alto da Serra da Estrela, bem lá em cima, para poder observar todo o nosso território.
E veio porque ouvira dizer que, nesta terra lusitana o clima, especialmente no tempo quente, era uma maravilha! E, como se sabe, do quente gosta o príncipe das trevas…
Nas suas deambulações por esse mundo imenso, ouviu dizer que este cantinho a Ocidente da Europa, mesmo à beira mar plantado, era uma maravilha: tinha uma luz deslumbrante, uma história muito antiga, o mais velho estado com fronteiras defendidas da Europa, uma cultura muito rica, monumentos lindos, praias extraordinárias,  paisagens naturais, diversificadas e belas, gastronomia e que gastronomia... E vinho, ah que vinho: ele é tinto, ele é branco, ele é rosé, ele é espumante, todos eles capazes de ombrearem com os melhores que há no Mundo e, que, por isso, são de se lhe tirar o chapéu e estalar a língua, ai que bons...Que de tão bons são capazes de dar largas à imaginação de quem os bebe, chegando mesmo a verem Baco - deus do vinho na mitologia - Mas, como o demónio não quer nada com Deus, fiquemos por aqui, pelo menos por agora, porque nunca se sabe o que o satã pode vir a aprontar no futuro.
Mas não é que o maléfico do anticristo, ainda viu mais: viu gente hipócrita, gente invejosa, gente gananciosa, gente corrupta, gente maldizente e esfregou as mãos de contente; mas, ficando mais atento, lá do alto do rochedo, começou a ver que também cá há muita gente boa, a maioria!  Gente de trabalho, gente honesta, gente solidária, gente resiliente no infortúnio e torceu o nariz; vai daí, aproveitando o calor de Junho e a malvadez de um dos seus apaniguados que ateava fogo a uma moita, começou a soprar, a soprar, a soprar fogo pela boca e pelas ventas, até que o fogo varreu tudo num ápice e tudo transformou em cinzas, até as pessoas, lá para os lados de Pedrogão Grande. Um inferno aqui, nesta terra de brandos-costumes, que tal tragédia nunca se havia visto.
Convencido, o chifrudo, de que já havia dado uma lição a esta boa gente que tem a mania de fazer o bem, pensou, lá para com os seus botões, que já podia ir para sua casa. Mas, de repente, começou a ouvir um turbilhão de verborreias: políticos despojados de qualquer sensatez inventavam factos onde os não havia, jornalistas desprovidos de qualquer ética profissional e pessoal, atiravam palavras, carregadas de gasolina, para o ar ardente e, gente, muita gente a opinar disparates como se fossem as maiores sumidades sobre a matéria em causa - os fogos - e, então, o anjo rebelde decidiu sentar-se, lá no rochedo, e ver no que isto ia dar: muita bazófia, falta de coordenação, o deixa andar que o tempo resolve tudo… Mas, também viu muita solidariedade, gente muito inteligente e sábia, gente empreendedora que arregaça as mangas e deita mãos à obra e, às tantas, pensou, muito furioso: esta gentinha não aprendeu nada e, vai daí, desce para a margem norte do rio Tejo e, novamente, aproveita-se de um bando de inconscientes que tendo ouvido dizer que a chuva, finalmente, vinha a caminho, desataram a fazer queimadas para que os verdes rebentos viessem mais depressa, às primeiras pingas de água, e o seu gado beneficiasse do pasto; e, ainda, com uns e outros, filhos do dito, à solta, que iam ateando o lume, o malévolo, volta a soprar, agora com mais raiva do que antes, soprou e fez sair o lume pela boca e pelas ventas varrendo todo o Norte deste pequeno torrão lusitano, tendo mesmo chegado à Galiza e tudo arrasou: homens, mulheres, crianças, casas, animais e tudo o que era verde, tudo, tudo isto sob um turbilhão de nuvens de fogo que evoluíam a uma velocidade incontrolável e indescritível; de tal forma esta realidade era dantesca que os animais morreram de pé e o vidro derreteu (o ponto de fusão do vidro é de 1500 a 1600 graus Celsius). E, tudo, o capeta transformou em cinzas. Ficámos com um país a preto e branco.
Será que depois da casa ardida, desta vez aprendemos alguma coisa? E, será que é agora que de uma vez por todas, pomos trancas às portas, deixando o apregoado maligno ir-se embora para assim podermos ter algum descanso? Será? Vamos ver.
Mas, à cautela, vamos pôr a barba de molho, um corno do lado de fora da porta e uma cruz do lado de dentro e vamos pedir a Deus que nos ajude e nos livre do demónio, porque aos cá de baixo, olhem… É isto.

E já agora, que anda toda a gente numa discussão filosófica muito interessante, de ver quem é que tem de pedir mais desculpas, pergunta-se:
- Todos achamos que o Estado falhou, verdade? Muito bem!
- Quem é o Chefe do Estado? O Presidente da República. Muito bem!
O Chefe do Estado pediu desculpa. Muito bem. E anda pelo país a confortar as pessoas e a ouvi-las. Muito bem.

O Primeiro-Ministro foi para Bruxelas pedir a Solidariedade da Europa para nos ajudar a recuperar da catástrofe. Muito bem. Que assim continue a trabalhar, para nos tirar desta situação catastrófica e claustrofóbica em que estamos metidos, por nossa culpa e a de todos os governos que é suposto nos terem Governado até este momento. Verdade?
Imagem da Internet