sexta-feira, 24 de abril de 2015

25 ABRIL

Imagem retirada da net
SEQUELAS DA GUERRA FICAM PARA O RESTO DA VIDA

Ao comemorarmos o quadragésimo primeiro aniversário do advento da liberdade, importa que uns não esqueçam e outros saibam que antes do 25 de abril de 1974, o nosso país vivia uma situação de guerra em três frentes: Angola, Moçambique e Guiné-Bissau; não tínhamos liberdade de expressão, de voto e de mais umas tantas coisas essenciais que não vou tratar neste texto para não levar o leitor a desfocar do que quero, neste dia, tratar aqui.
Os resultados nefastos da guerra colonial: 140.000 ex-militares afetados pelo stress pós-traumático devido aos horrores da guerra e, destes, um grande número – aponta-se para mais ou menos 40.000 – estão, felizmente, ainda vivos. Vivos, mas… a sofrer e a fazerem sofrer os seus familiares mais próximos: esposas, filhos e netos.
Estas pessoas, vítimas da guerra, necessitam urgentemente de ajuda a nível psicológico e financeiro.
Talvez valha a pena lembrar que, aqui há uns anos, um Ministro (político que à custa de ser irrevogável hoje é vice-primeiro-ministro) fez questão de atribuir uma pensão aos combatentes do ultramar. Já então este subsídio era uma ninharia, hoje, com os cortes sucessivos que tem sofrido, é ridículo. Assim, sugiro que este miserável subsídio, atribuído a cada um dos ex-combatentes, seja canalizado para um fundo (muito pouco junto, muito é), ao serviço do apoio e tratamento destes ex-combatentes, minorando e suavizando um pouco o sofrimento destes homens que, aliás, têm direito absoluto a este tratamento, porque um dia a Pátria lhes exigiu que fossem lutar em seu nome. Hoje a mesma Pátria não os pode ignorar, como está a fazer, aproveitando-se do facto de estas pessoas sofrerem em silêncio. E, já agora, que não façamos como vai sendo hábito. Veja-se o que está a acontecer com as pensões de reforma, de sobrevivência, subsídio de desemprego e por aí adiante. Empurra-se para a frente com a barriga, o tempo passa e daqui a uns anos o problema da Segurança Social está resolvido; num país envelhecido e cada vez mais envelhecido, deixa-se que o problema se resolva com a inexorável lei da vida – as pessoas morrem e o problema, qual problema, já era.
Comecei por falar deste grupo por ainda estarem vivos, mas não posso deixar de lembrar os que ficaram estropiados, que na época eram 20 mil jovens, e, naturalmente, homenagear os 8.331 jovens heróis que faleceram ao serviço da Pátria, que é a nossa Pátria.
Por último, saudar os militares de ABRIL que naquela madrugada ousaram pegar em armas (que o povo nas ruas encheu de cravos vermelhos), e derrubaram uma ditadura caquética, bruta pelo sofrimento que a sua política causou e burra por não ter tido a capacidade de aprender com a História, e assim puseram fim à guerra colonial.


A.M.

domingo, 12 de abril de 2015

Notícias de Lisboa/Songo

A propósito do último post deste blogue, hoje, apetece-me dizer que nem só de austeridade vive um povo: desemprego, cortes nos salários, cortes no Serviço Nacional de Saúde, cortes nas reformas e pensões, cortes na cultura, na educação, cortes nos feriados, aumentos dos transportes, da água, da eletricidade, etc. etc. etc., assim não se constrói um país. Não. Tudo isto é muito mau para uma Nação.
Um povo que através da sua resiliência de trabalho e cultura já leva quase novecentos anos de independência sem se deixar quebrar, por mais forte que seja o jugo – podemos vergar mas não quebramos – e a prova disso é que todos os dias são publicadas obras de todas as áreas do saber e do fazer.
Mas hoje apraz-me, aqui, publicitar a obra de um amigo do Songo, Fernando Paula Vicente, “ANGOLA COLONIZAÇÃO DESCOLONIZAÇÃO”, numa edição do autor e que agora está à venda também nas livrarias da FNAC.
Ainda não li o livro mas vou adquiri-lo rapidamente, como não podia deixar de ser. A capa contém a síntese da obra e independentemente de estar de acordo ou não com o que leio há porém a biografia do pioneiro do Songo: ANTÓNIO CORDEIRO DE OLIVEIRA, “que em 1919 avançou sozinho para o sertão angolano do Reino do Congo onde fundou a povoação do Songo (Uíge), hoje um concelho com 60 mil habitantes, que se veio a tornar compadre do próprio Rei, envolta na História de Portugal e de Angola ao longo do século XX.”.
Só por isto, do meu ponto de vista, vale a pena comprarmos o livro e ficarmos a saber mais um pouco desta terra  Songo  que um dia por esta ou aquela razão também foi a nossa terra.
A. Magalhães


terça-feira, 7 de abril de 2015

Notícias do Uíge

Foto do meu arquivo pessoal - 73/75
“Homem e Cidadania”

Nem só de infraestruturas: estradas, pontes, prédios, água, luz, hospitais etc. se constrói um país, não. Se tudo isto, que é muito importante para o bem-estar das pessoas, não for feito de mãos-dadas com a cultura, o país fica amputado da sua maior riqueza. Está pois de parabéns, também, nesta vertente do desenvolvimento cultural o povo angolano que, assim, enriquece o Mundo - vem isto a propósito do lançamento desta obra "homem e cidadania" do filósofo Artur Pina, que certamente iremos ler com atenção e sentido crítico.
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Uíge: Artur Pina lança livro "homem e cidadania"
Uíge- O filósofo Artur Pina colocou no mercado nesta segunda-feira, na cidade do Uíge, a sua segunda obra intitulada "o homem e a cidadania", com 127 páginas.
O livro de  Artur Pina, diplomado em filosofia em Roma, é científica e tem como finalidade educar o homem para o bem e pode também servir de base filosófica, pedagógica para os estudantes de direito.
Editada pela Mayamba, é um livro para leitores bem iniciados no tema e sobretudo para os bons pensadores desta época e relança no mundo da literatura e de pesquisa novos talentos.
Convidado a apresentar o livro, o bispo do Uíge, Dom Emílio Sumbelelo, disse que a obra divide-se em quatro capítulos antecedidos de uma introdução, seguido de uma conclusão e bibliografia.
O prelector disse que o primeiro capítulo trata da reeducação do homem, apresentando a finalidade deste como deve ser educado, a idade para a sua educação e nos segundo e terceiros capítulos, o autor procura mostrar o homem como animal, fragmento ou bárbaro, doméstico ou selvagem, social ou vestido de panos sociais.
No quarto capítulo conclui que a sociedade deve educar o homem traçando linhas mestras para a sua educação, enquadrando-o segundo o modo de educação.
Sublinhou que o conhecimento humano deve muito aos livros que permitem que uma geração mostre a outra futura o que realizou na sua época.
O Bispo classifica a obra como digna de ser lida e estudada, porque por meio dela consegue-se transmitir conhecimentos culturais de diversos povos de geração em geração, pois enquadra quatro personagens poéticas, filosóficas, históricas, teorias políticas e modernas.

In: angop

quinta-feira, 2 de abril de 2015