segunda-feira, 11 de setembro de 2017

INCÊNDIOS

Imagem: Internet
Agora que a época dos fogos está a chegar ao fim, analise-se e discutamos tudo, agora sim.
Já muito foi dito sobre os incêndios que todos os anos queimam o nosso país, deixando-nos mais pobres. Mas, há sempre um novo ângulo pelo qual se pode dissertar (embora nos tempos que correm “piar” seja o verbo mais em voga, eu, como não sou conservador, digamos antes que, por razões de estilo, mantenho o verbo dissertar) sobre o assunto.
Aqui, proponho-me fazê-lo do ponto de vista - Segurança e Proteção Civil - a que cada um de nós tem direito enquanto cidadãos deste país - Portugal -, que tanto amamos: a nossa segurança física e a dos nossos bens e pertences.
É condição, para nos sentirmos seguros, termos a proteção destes bens. É um direito absoluto. Ora, aqui chegados pergunta-se: e a quem incumbe o dever de segurança e proteção? Em primeiro lugar, a cada um de nós individualmente e, logo a seguir, ao Estado.
Mas, o que observamos é que quer uns, quer outros, temos andado um pouco afastados destes deveres. Os cidadãos porque uns não limpam a carga energética das suas florestas (...), outros porque vão pegando fogos a torto e a direito e, o Estado por não ser capaz de pôr cobro a estas situações, prendendo e castigando severamente os incendiários (ou guardando-os se for o caso, para não reincidirem, durante o tempo mais quente do ano), e por não apagar os fogos com eficiência.
Quero, antes de continuar, louvar o esforço dos bombeiros que tão  abnegadamente se têm dedicado com afinco e dando o melhor de si, algumas vezes, infelizmente, até a sua vida, para nos salvarem e salvarem os nossos bens. A Eles o nosso reconhecimento e louvores que nunca serão de mais por tanta generosidade.
Temos no entanto que reconhecer que o país carece de uma força de intervenção altamente especializada, fisicamente bem preparada, e com os meios adequados para combater esta catástrofe que, com a regularidade cíclica do estio, nos afeta todos os anos e muitíssimo. Penso que serão necessários dois batalhões de homens e mulheres, um a Sul e outro a Norte, inseridos no exército, ou na GNR, mas parece-me que as Forças Armadas, por terem as outras duas valências, aviação e marinha, estarão mais bem posicionadas para absorver esta Força Especial, que possa estar pronta 24 horas por dia, 365/6 dias por ano, bem treinados e com disponibilidade total para poderem responder a esta e outras calamidades, prontamente, sem excitações e obedecendo de imediato ao Comandante; e, a esta Força, devem juntar-se a Força Aérea com os aviões de combate a incêndios (deixando, assim, de ser necessário contratar as empresas dedicadas a este negócio); a Marinha para as situações de cheias e em outras ações como foi visível agora; o famigerado SIRESP, para se acabar de vez com esta situação anacrónica de este sistema nunca estar operacional em situações de catástrofe; os Bombeiros voluntários, que não devem ser dispensados (de modo nenhum como é evidente), sempre que forem chamados a integrar esta Força, devem fazê-lo e submeterem- se ao respetivo Comando da Força Especial.
A esta hora, quem está a ler este artigo de opinião, interrogar-se-á: quem é este tipo para estar a opinar desta maneira? E sabe que mais, tem toda a razão! Não sou ninguém. Apenas um cidadão atento e, com alguma dificuldade, reconheço, pensante; que depois de ler o que a Unidade Militar de Emergência fez e disse acerca das nossas forças em presença no combate aos fogos, me obriga a ter o desplante de intervir, civicamente, nesta matéria, com vista a minimizar, para o futuro, este desastre: um  rombo nas finanças públicas, que, afinal de contas, são de todos nós.
Não esgoto com estas medidas a carência do que há, no domínio dos incêndios, por fazer, tal como: o cadastro do território, o emparcelamento, a ordenação florestal, o banco de terras, o aproveitamento da carga energética das florestas (biomassa). Mas, tudo isso já está discutido e escrito, pelo que me dispenso de o fazer. Não, sem contudo, antes, deixar aqui algumas notas: este nosso sistema de combate aos incêndios já deu o que tinha a dar, está demonstrado, temos que ser realistas. E quando assim é, diz o senso comum, ser bom parar para pensar. Julgo que com um pouco de humildade, devemos reconhecer a evidência e, para não irmos mais longe, olhar com olhos de ver, aqui, para os 'nossos irmãos', e aprendermos com eles, já que, o sistema deles resulta melhor do que o nosso! E, olhem, que não nos caem os parentes na lama por isso. É sempre tempo de aprender, cum raio.
Pergunto-me se, no meio de tantas ignições, não houve mão terrorista?
E, se a forma como a Comunicação Social, com toda a liberdade e o dever que tem de informar (com verdade e rigor), e, no caso, em particular, as várias estações de televisão pela força das imagens que difundiram, o fizeram da melhor maneira? A mim, pareceu-me que não. Não é com a repetição sucessiva e massiva, que se informa. Parece-me, até, que esta atitude pode induzir nos pirómanos a vontade de atearem mais fogos. Uma discussão que a Psiquiatria pode fazer, para, a todos, nos esclarecer.
Por último, vi as pessoas, quando os fogos rodearam as suas casas molharem-nas, bem como aos espaços envolventes, o que me pareceu bem; mas, sempre que via isto, pensava se não seria mais eficaz colocar (antes dos incêndios) nas cumeeiras dos telhados e nas paredes que rodeiam as habitações ou quintais, aspersores?
E com esta dica, por aqui me fico com a certeza de que unidos, com inteligência, e a vontade que não nos deixa quebrar, faremos destas cinzas uma nova floresta, amiga do ambiente e, consequentemente, do homem.



sábado, 2 de setembro de 2017

" Fazenda do café no Uíge ainda faz mexer todos os dias o "velho Dias"

Imagem:Internet
Ao puxar esta "REPORTAGEM
DO DIÁRIO DE NOTICIAS - LUSA de 19 de agosto de 2007" - para este blog, faço-o lembrando-me dos velhos pioneiros d'aquém e d'além mar que, destemidamente, entraram nas matas e desbravando-as fizeram brotar daquelas terras - do Norte de Angola - estas pequenas bagas rubras que valem ouro.
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"Às primeiras horas do dia Joaquim Dias faz-se à estrada, sete quilómetros a pé, a caminho da pequena fazenda de café nos arredores da cidade do Uíge, que possuiu desde a saída dos colonos portugueses de Angola, em 1975, rotina inalterada, mesmo com 85 anos.
Conhecida como "a província" do café em Angola - que no tempo colonial chegou a ser o quarto maior exportador do mundo -, o Uíge conta atualmente com mais de 9.000 pequenos produtores registados, com plantações de alguns hectares, como é o caso da fazenda "Canjongo", do "velho Dias", como é tratado por todos.
"Gosto disto, gosto do meu trabalho. E com esta fazenda tenho alimentado e mantido a minha família estes anos", começa por contar, à conversa com a agência Lusa.
Tudo começou com a saída dos colonos portugueses que faziam a produção de café naqueles terrenos, como atesta a vizinha fazenda Alto Minho que ainda hoje mantém o nome original. Quanto a Joaquim Dias, ao ver a destruição e abandono dos cafeeiros existentes na agora sua fazenda, mexeu-se e conseguiu ficar com os 45 hectares, que ainda hoje são o seu sustento.
"Quando senti isso, com a destruição das plantas e queima para carvão, tive de ir para Luanda, para o ministro da Agricultura, e consegui a minha fazenda", recorda, sobre o ano de 1975, quando passou a cultivar o café.
Hoje são 15 hectares só de café, com 16.500 pés, que lhe garantiram, na colheita deste ano, concluída a 12 de julho, 15 sacos, cada um com entre 70 a 75 quilos. Ainda assim, menos de metade face a 2016, quando chegou aos 42 sacos.
A crise angolana, com a falta de apoios financeiros à produção, e a seca, face à falta de chuva, ajudam a explicar a "confusão na cabeça" que a colheita de 2016 provocou a Joaquim Dias, que ainda assim garante ter os pagamentos aos 10 trabalhadores em dia.
"Foram 28 dias a fazer a colheita com um grupo que veio de fora, para ajudar. Não devo nada", garante.
Vai vender a colheita de 2017 a 200 kwanzas (um euro) cada quilo, sempre para o mesmo comprador, em Luanda, que depois o revende.
"É o suficiente, chega. Mas amanhã pode aparecer alguém a dar mais. É o negócio", brinca Joaquim, que já tenta passar o negócio para o filho mais novo.
"Já registei as coisas em nome dele e tudo, para continuar com isto", diz.
Ainda assim, garante que para já tem força para manter a rotina diária de ir para a fazenda, onde colhe ainda banana, abacaxi e a partir do próximo ano também com as primeiras 1.000 plantas de cacau, para "experimentar".

No entanto, e num país tomado pelo negócio do petróleo, que agora está em crise, o café continua a ser a paixão de Joaquim: "O café tem mais vantagens que o petróleo, não vamos só confiar no petróleo, porque o café é que construiu [tempo colonial] as cidades, Luanda, Uíge e até o Huambo", remata."