terça-feira, 11 de abril de 2017

25 DE ABRIL DE 1974

Foto: 25 de Abril 1974 - Internet
Quando me preparava para escrever sobre o 25 de Abril – neste blogue – lembrei-me de que talvez não fosse má ideia ir vasculhar a história e, para isso, nada melhor do que o fazer na Universidade de Coimbra/ Centro de Documentação 25 de Abril © 2012
Ah! Sim, estarão alguns a interrogar-se, porquê vasculhar a história, se és um kota e viveste os acontecimentos?
Porque, ao fim de 43 anos, alguns de nós já esquecemos e outros ainda não sabem o que aconteceu aos nossos países com o advento desta data que marcou, indelevelmente, as nossas vidas para o futuro; para uns a Democracia, para outros a Independência, não é coisa pouca. Mas há, ainda, aqueles que sofreram com este processo e que não devem ser esquecidos – os colonos. Para todos nós, aqui fica o relato do que a História registou:

“FIM DO IMPÉRIO
O golpe de Estado do 25 de Abril de 1974, levado a efeito por militares dos três ramos das Forças Armadas, dirigidos pelo MFA, pôs fim a 41 anos de Estado Novo e a 48 anos de ditadura em Portugal. Ao 25 de Abril seguiu-se um período revolucionário que  transformou radicalmente o Estado e a Sociedade. Em apenas dois anos, Portugal sofreu a mais profunda mudança na sua história não só do ponto de vista  do sistema político, mas também nas concepções, estruturas e relações sociais e económicas. As independências dos territórios coloniais, ocorrida entre Outubro de 1974 e Novembro de 75.
  A guerra colonial constituiu a motivação dominante do MFA para conceber e preparar um golpe de estado contra o regime. O golpe de Estado obedeceu a um planeamento muito cuidadoso e a execução de grande eficácia, baseada em princípios militares muito simples (surpresa, coordenação e concentração de forças)
  O sinal utilizado pelos golpistas foi uma canção de José Afonso "Grândola, Vila Morena", transmitida pela rádio Renascença. Estava assim iniciada a revolta.".


… "Quanto a Angola, considerando as previsíveis dificuldades de aproximação dos três movimentos de libertação e a amplitude da comunidade branca angolana, o Presidente da República, e de forma geral os órgãos de soberania portugueses, interrogava-se legitimamente sobre a melhor forma de levar à prática a descolonização. Com efeito, os altos interesses em jogo no território angolano quer do ponto de vista da África do Sul e dos países ocidentais, quer do ponto de vista da União Soviética e dos seus aliados faziam adivinhar o alargamento de um confronto à margem de Portugal. Na  sequência de várias decisões, Spínola encontrou-se com Mobutu na ilha do Sal, em 15 de Setembro, reunião que se revestiu de grande  sigilo, mas cujo objectivo foi a questão de Angola. As iniciativas de Spínola tiveram ainda alguma continuidade quando, em 27 de Setembro, exactamente nas vésperas da sua ruptura com o novo regime, recebeu uma delegação das «forças vivas de angola», a quem apresentou «as linhas gerais do programa de descolonização daquele território», o seu último acto oficial relativo a tal matéria. Três  dias depois, Spínola renunciaria ao cargo.
  Com Costa Gomes na Presidência da República não diminuíram as preocupações com a descolonização e, em especial, com a resolução do caso de Angola.
  O processo de negociações conheceu várias frentes, desenvolvendo-se essencialmente em torno de acções da Presidência da República, do ministro Melo Antunes, do ministro dos negócios estrangeiros e das autoridades portuguesas de Angola. Neste período, uma primeira frente de conversações desenvolveu-se em direcção à FNLA, a partir de Kinshasa, onde esteve presente uma  delegação portuguesa em 11 e 12 de Outubro, prosseguindo estas conversações, alguns dias depois, em Luanda. Ainda durante o mês de Outubro, no interior de Angola, encontraram-se delegações de Portugal e do MPLA, vindo a ser acordado um cessar-fogo.
  Entretanto, várias diligências  ao nível diplomático e político procuraram desbloquear algumas desconfianças mútuas e várias dificuldades práticas, até poder ser anunciado, os últimos dias do ano, uma cimeira dos três movimentos em Mombaça, preparatória de uma plataforma comum perante o Governo português. Efectuada esta nos primeiros dias de 1975, foi possível dar mais um passo em direcção à assinatura de um acordo global, com realização, no Algarve, de uma cimeira dos três movimentos e de Portugal, entre 10 e 15 de Janeiro. Neste último dia foi assinado o Acordo de Alvor, que definia um modelo de transferência de poderes e criava os instrumentos-base do entendimento mútuo e do esforço comum no sentido de Angola se tornar num Estado independente a partir de 11 de Novembro de 1975. Contudo, os interesses brevemente silenciados não tardaram a fazer-se ouvir, desfazendo em migalhas as esperanças de Alvor. Sem que a data da independência tivesse sido posta em causa, o edifício constitucional laboriosamente construído durante as conversações acabou rapidamente por ruir.”.

Contudo, foi com esta proclamação, lida pelo Almirante Leonel Cardoso, Governador de Angola, que, às 12:20 horas, no dia 10 de novembro de 1975, no Palácio do Governador, em Luanda, Portugal entregou Angola aos angolanos na data acordada:

"Portugal nunca pôs, nem poderia pôr, em causa a data histórica de 11 de Novembro, fixada para a independência de Angola, que não lhe compete outorgar, mas simplesmente declarar. Nestes termos, em nome do Presidente da República Portuguesa, proclamo solenemente - com efeitos a partir das 00,00 horas do dia 11 de Novembro de 1975 - a independência de Angola e a sua plena soberania, radicada no Povo Angolano, a quem pertence decidir as formas do seu exercício...". (Excerto transcrito a partir do blogue dos CAVALEIROS DO NORTE/BCAV.8423):



quarta-feira, 8 de março de 2017

ANGOLA E PORTUGAL ANDAM DE CANDEIAS ÀS AVESSAS



De quando em vez, lá sou obrigado (por razões da agenda do que se diz) a sair do meu terreno de conforto e a entrar na política superficial.

Desta feita porque as autoridades angolanas e portuguesas andam de novo de candeias às avessas. Mas, isto, por princípio, não é grave; é um pouco como quando dois irmãos se zangam e um faz queixa aos pais, e estes querem saber das razões para avaliarem da gravidade da zanga: se é daquelas quezílias que passado algum tempo passam e tudo volta ao normal, ou se é alguma coisa mais séria e a necessitar de alguns reparos para as coisas se comporem e tudo voltar à normalidade.
Ora, importa dizer que (segundo o Jornal de Angola), a queixa, desta vez, tem a ver com a divulgação pela comunicação social de um caso em que, supostamente, o Ministério Público português acusa um membro do governo de Angola de corrupção.
Quanto a isto, e a ser verdade o que li na comunicação social, estou absolutamente de acordo com esta queixa e subscrevo-a por baixo. Não é admissível que casos desta natureza sejam dados a conhecer pelos órgãos de comunicação social, antes de os interessados, deles, tomarem conhecimento pelas vias oficiais.
Este é, aliás, um problema com que o nosso país (Portugal) se defronta. É absolutamente necessário que nós (o legislador – Assembleia da República) o resolvamos com coragem e sem subterfúgios, sob pena de, a prazo, a nossa Democracia vir a ter problemas.
Já quanto ao suposto “conteúdo” é outra coisa. Importa dizer que Portugal é uma República Democrática de corpo inteiro. E sem termos a pretensão de darmos conselhos de democracia a ninguém, reafirmamos que a nossa Democracia contêm vários Órgãos de Soberania e que estes são independentes e não interferem uns com os outros. E isto está, aliás, na base do funcionamento da nossa Democracia. Assim é, e assim queremos que continue a ser.
Mas isto não obsta a que não possamos ou até mesmo devamos melhorar, aqui e ali, o funcionamento desta ou daquela situação, como, por exemplo, as supostas fugas de informação que se verificam amiudadamente no nosso sistema de justiça.
Termino como comecei, com bom senso e vontade de se preservar os superiores interesses dos nossos povos. Estas escaramuças não contêm, em si, nada de substancial que possa pôr em causa a relação amistosa destes dois irmãos.



quinta-feira, 2 de março de 2017

LEMBRETE

CAMARADAS

O PRÓXIMO ENCONTRO FICOU MARCADO PARA O DIA 24 DE JUNHO DE 2017, EM AVEIRO. COMISSÃO ORGANIZADORA: MATOS SILVA, ALEXANDRINO E NEVES.

Atenção, cada um de nós deve ir pensando: quem e onde quer organizar o encontro de 2018, depois, durante o almoço, elegeremos a proposta que mais agradar à maioria.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

UÍGE DE LUTO


Foto da net

A tragédia abateu-se sobre o povo do Uíge.
Às famílias enlutadas e aos uigenses em geral, os nossos pêsames e a nossa solidariedade.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

PUTOS SEM PAIS


As crianças são como as flores,
têm que ser cuidadas



“...  Os meus pais morreram quando eu tinha quatro anos, o meu pai na guerra civil contra a UNITA e a minha mãe, logo a seguir, de doença. Os meus irmãos desapareceram e eu fiquei sozinho no Cazenga (o meu bairro). Um dia ouvi os vizinhos dizerem que a polícia vinha buscar-me para um orfanato! Não sabia o que queria dizer essa palavra e pensei que me iam prender. Aterrorizado, fugi e acabei num outro bairro. Mais tarde, soube que era o Prenda. Extenuado, adormeci debaixo de um alpendre de uma casa. A dona acordou-me ao outro dia, de manhã bem cedinho, e perguntou-me:

– O que fazes aqui, rapaz?

– Acordei estremunhado, mas com a insistência da senhora, contei-lhe o que me tinha acontecido e a senhora generosamente acolheu-me. Acabei a engraxar sapatos no aeroporto até que um dia a mãezinha, assim passei a chamar a senhora, disse-me que tinha que ir para a escola para aprender a ler e a escrever, para ser um homem! E, quando fiz sete anos, pegou-me na mão e levou-me à escola para me inscrever. Como não tinha documentos e só sabia que me chamava Ambrósio, não pude ser inscrito! Ficou combinado que quando levasse os papéis me fariam a inscrição. Não sei como, mas uns dias depois, a mãezinha já tinha o meu Registo e disse-me que o meu nome era: Ambrósio da Silva Prenda! Voltou a levar-me à escola e, desta vez, a matrícula consumou-se.”.

O táxi já havia parado à porta do hotel, mas Ambrósio continuou a narrar a sua história de vida ao cliente.

 Passei a ir à escola de manhã e à tarde ia engraxar sapatos, o pouco dinheiro que conseguia entregava-o à mãezinha, ela era já muito velhinha e tinha grande dificuldade em andar. Fiz a sexta classe. Nessa altura, a mãezinha já estava muito doente e eu pensei que tinha de mudar de vida, necessitava de ganhar mais dinheiro para a comida e para os medicamentos da mãezinha e, assim, acabei a lavar carros! Aos quinze anos a mãezinha morreu.
Como os seus três filhos haviam morrido na guerra, fiquei com a casa e a viver sozinho. Com tanto lidar com carros, acabei por acalentar a vontade de aprender a conduzir; fui guardando algum dinheiro e quando fiz dezoito anos tinha o necessário para tirar a carta de condução. Depois, fui pedindo às pessoas que lá punham os carros, a lavar, se me davam emprego como motorista, até que, um dia, um senhor dono de um táxi me convidou para trabalhar com ele e a partir daí nunca mais fiz outra coisa, isto é, ainda consegui concluir o nono ano...”.

Esta é uma história de vida que acaba bem. Mas, a verdade é que a esmagadora maioria das crianças de ninguém, não acaba assim.

Há uma horda imensa de crianças que vagueia, sobretudo, pelas cidades à procura de sustento, sem ninguém que lhes dê teto, colo, carinho, alimento, que lhes transmita os valores da humanidade, que os leve à escola, que lhes trate um arranhão ou, simplesmente lhes dê um beijo. E, por não terem ninguém, nem direito ao registo civil têm. Vivem em pequenos grupos, procurando trabalhos que lhes renda algum dinheiro para comerem uma refeição, por eles cozinhada e, não poucas vezes, os adultos que lhes encomendam as tarefas, no fim do trabalho feito, não lhes pagam e ainda os escorraçam. Assim vivem estas crianças. Escorraçadas por todos e até pela polícia que os devia proteger; atiradas para as periferias onde, para se abrigarem do frio da noite, improvisam um teto com sacos de plástico cheio de furos e onde, inúmeras vezes, os mais novos são violados pelos mais velhos.

O que serão estas crianças quando crescerem?

Não sendo adivinho, e salvo um milagre que acontecerá em raríssimas exceções, a uma ou outra criança, isto para ser otimista, vão ser bandidos sem escrúpulos que matarão, roubarão, violarão e por aí adiante.

Depois vêm as autoridades e prendem-nos  (quando não os matam) e, agora sim, já têm instituições para os acolher. Metem-nos em prisões, na maior parte das vezes, com um número excessivo de pessoas, muitas mais do que as vagas para que esses lugares foram planeadas.
Penso que os governos, quando fazem os orçamentos de estado, deviam fazer estimativas do número de pessoas que em cada ano poderão vir a encontrar-se nestas condições, e orçamentarem as verbas necessárias para responderem humanamente a estas situações. Ao não o fazerem, criam as condições para esta calamidade que está a invadir as cidades: os extremismos e outras coisas terminadas em ismos por esse Mundo.
       
Dir-me-ão que sou pessimista, porque o mundo não é todo assim. Pois, felizmente que não é. Mas a verdade é que o mundo está cheio destas crianças e urge alterar este estado de coisas, se queremos sonhar com um mundo melhor amanhã. E queremo-lo certamente.

O cliente do táxi
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Foto: internet
A frase da foto, penso que não é inédita, desconheço o autor

sábado, 7 de janeiro de 2017

SOARES É FIXE!



MÁRIO SOARES

PAZ À SUA MEMÓRIA


AO MAIOR VULTO DA DEMOCRACIA PORTUGUESA,

OBRIGADO


Foto: internete

domingo, 1 de janeiro de 2017

TERRORISMO

O Mundo está nas nossas mãos. Façamos a PAZ.
Esta é a palavra incontornável do ano 2016 e, está aí, para durar.

Há já muitos anos que não ouvia falar tanto de terrorismo como hoje. Estive na guerra colonial em Angola e lá, sim, o terrorismo estava presente em todas as conversas, horas e lugares.
Mas, com vontade e à força, os militares fizeram o 25 de abril e acabaram com a guerra. E, com o fim da guerra, o termo “turra” deu lugar ao guerrilheiro. De então para cá quase deixámos de ouvir falar em terrorismo, só raramente e a propósito de um ou outro avião raptado é que ouvíamos tal palavra.
Hoje, não. O terrorismo é uma realidade global e, tal como no tempo das guerras coloniais, está presente em todas as conversas, horas e lugares. Ainda não chegámos ao ponto de termos a perceção permanente de que o inimigo está a olhar para nós aqui, ali, mais à frente ou acolá. Mas já não falta muito!
Vejamos: a guerra de guerrilha é um tipo de guerra, não convencional, que tem como características principais a grande mobilidade dos seus membros que se misturam com as populações – vivem no meio delas – e dissimulam-se facilmente; uma só pessoa ou pequenos grupos de homens (hoje em dia até crianças são usadas neste tipo de ações), pior ou melhor armados, conseguem combater grandes exércitos com muitos meios militares e rios de dinheiro. As grandes cidades, ocidentais – hoje em dia – são disto um exemplo: polícias e exércitos armados até aos dentes (sendo Paris, para mim, o exemplo mais chocante) e receio bem que isto se reforce e alargue a todo o Mundo se, rapidamente, nada for feito.
Mas, atenção, porque também nos diz a história que a guerra de guerrilha não se vence à força das armas. Só a alteração das políticas e o diálogo podem, na generalidade, pôr cobro a este estado de coisas. Sobram depois os casos mais isolados e pontuais, aí sim, a força resolve-os. Mas também aqui, atenção, é necessário sujar as botas no terreno, não basta atirarem-se bombas do ar, por maior e mais sofisticadas que sejam as esquadras aéreas e as tecnologias.
E para que tudo isto, o que não é pouco, faça sentido e tenha êxito, é igualmente necessário que o outro tipo de terrorismo (que abunda por aí) acabe com a venda de armas aos terroristas e os políticos deixem de fazer discursos hipócritas a acusarem-se mutuamente na ONU, porque se não existirem armas não há guerra.
Termino elogiando o Presidente da Colômbia, Juan Manuel dos Santos (é o melhor exemplo da atualidade do que acima se diz), que ao fim de 50 anos de guerra de guerrilha no seu país e, através do diálogo, acabou com a guerra.
Haja fé e esperança na boa vontade dos homens e o Mundo ‘brevemente’ ver-se-á livre deste flagelo.
Foto: Internet