sábado, 5 de abril de 2014

25 DE ABRIL DE 1974 – 40 ANOS DEPOIS

e as balas foram substituídas por cravos
O QUE RECORDAS?
Eu recordo:
  • Que estava na guera no norte de Angola.
  • Os mortos – no caso particular da CART 6553 o José Hermínio Carvalho†;
  • Os estropiados;
  • Os traumatizados;
Honra a estes verdadeiros Heróis. 
  • Os meus camaradas de armas;
  • Aqueles abraços: o que eu e o Comandante da FNLA, Vuna Vioka, demos no Povo Penda (norte de Angola);
  • E, com emoção, quando à voz de destroçar, os soldados de ambas as forças correram uns para os outros de braços abertos e se abraçaram como irmãos que se reencontravam, cheios de saudades, depois de tanto tempo terem estado de costas voltadas; e pensei incrédulo: como foi possível um regime caduco e podre, a cair aos bocados, governar durante 38 anos e não se ter apercebido da inevitabilidade do que acabara de acontecer; e que nos obrigou a pegar em armas para alcançarmos o que pretendíamos. E só o advento do 25 de ABRIL DE 1974 possibilitou aos povos irmãos – da metrópole e das colónias – por fim, silenciarem as armas, derrubarem a ditadura e alcançarem a Liberdade, a Independência, e a Democracia. 
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Aquele Inverno
 
   Letra e musica: Miguel Ângelo, Fernando Cunha
   Intérprete: Delfins/Resistência
   
   Há sempre um piano
um piano selvagem
que nos gela o coração
e nos traz a imagem
daquele Inverno
naquele Inverno

Há sempre a lembrança
de um olhar a sangrar
de um soldado perdido
em terras do Ultramar
por obrigação
aquela missão

Combater a selva sem saber porquê
e sentir o inferno de matar alguém
e quem regressou
guarda a sensação
que lutou numa guerra sem razão...
sem razão... sem razão...

Há sempre a palavra
a palavra 'nação'
os chefes trazem e usam
p'ra esconder a razão
da sua vontade
aquela verdade

E para eles aquele Inverno
será sempre o mesmo inferno
que ninguém poderá esquecer
ter que matar ou morrer
ao sabor do vento

Perguntei ao céu: sera sempre assim?
poderá o Inverno nunca ter um fim?
não sei responder
só talvez lembrar
o que alguém que voltou veio contar...
recordar...
recordar...
Aquele Inverno
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  40 Anos depois (…), valeu a pena.
Honra aos Militares de Abril.
Viva o 25 de Abril.