quarta-feira, 8 de março de 2017

ANGOLA E PORTUGAL ANDAM DE CANDEIAS ÀS AVESSAS



De quando em vez, lá sou obrigado (por razões da agenda do que se diz) a sair do meu terreno de conforto e a entrar na política superficial.

Desta feita porque as autoridades angolanas e portuguesas andam de novo de candeias às avessas. Mas, isto, por princípio, não é grave; é um pouco como quando dois irmãos se zangam e um faz queixa aos pais, e estes querem saber das razões para avaliarem da gravidade da zanga: se é daquelas quezílias que passado algum tempo passam e tudo volta ao normal, ou se é alguma coisa mais séria e a necessitar de alguns reparos para as coisas se comporem e tudo voltar à normalidade.
Ora, importa dizer que (segundo o Jornal de Angola), a queixa, desta vez, tem a ver com a divulgação pela comunicação social de um caso em que, supostamente, o Ministério Público português acusa um membro do governo de Angola de corrupção.
Quanto a isto, e a ser verdade o que li na comunicação social, estou absolutamente de acordo com esta queixa e subscrevo-a por baixo. Não é admissível que casos desta natureza sejam dados a conhecer pelos órgãos de comunicação social, antes de os interessados, deles, tomarem conhecimento pelas vias oficiais.
Este é, aliás, um problema com que o nosso país (Portugal) se defronta. É absolutamente necessário que nós (o legislador – Assembleia da República) o resolvamos com coragem e sem subterfúgios, sob pena de, a prazo, a nossa Democracia vir a ter problemas.
Já quanto ao suposto “conteúdo” é outra coisa. Importa dizer que Portugal é uma República Democrática de corpo inteiro. E sem termos a pretensão de darmos conselhos de democracia a ninguém, reafirmamos que a nossa Democracia contêm vários Órgãos de Soberania e que estes são independentes e não interferem uns com os outros. E isto está, aliás, na base do funcionamento da nossa Democracia. Assim é, e assim queremos que continue a ser.
Mas isto não obsta a que não possamos ou até mesmo devamos melhorar, aqui e ali, o funcionamento desta ou daquela situação, como, por exemplo, as supostas fugas de informação que se verificam amiudadamente no nosso sistema de justiça.
Termino como comecei, com bom senso e vontade de se preservar os superiores interesses dos nossos povos. Estas escaramuças não contêm, em si, nada de substancial que possa pôr em causa a relação amistosa destes dois irmãos.