sábado, 30 de janeiro de 2010


A NATUREZA É AINDA MAIS GENEROSA EM ÁFRICA!

Uma terra rica, onde algumas culturas frutificam duas vezes no mesmo ano! Isto para não falar das riquezas do subsolo, petróleo, diamantes entre outros… generosa, ainda, no índice de nascimentos que é elevadíssimo! Eu sei, que nascimento não é o mesmo que natalidade. Eu sei. Mas não é disto que quero falar. Um Continente onde há tanta gente a morrer de fome, de sede, de doenças endémicas, dizer-se que a Natureza é mais generosa, dito assim, até parece uma contracenso.
TROVOADAS! Pois é, é disto que me proponho falar neste pequeno apontamento de memórias. É que também em matéria de intempéries, nesta região de África, quando a Natureza decide dar, fá-lo em abundância.
Violentíssimas tempestades eclodem de repente do nada! E à mesma velocidade com que aparecem, desaparecem!
Na época das chuvas, quase todos os dias durante trinta a quarenta e cinco minutos chove torrencialmente. Está Sol e de repente enormes nuvens baixas, negras e fantasmagóricas, cobrem o céu e, com uma ferocidade inaudita, largam água a cântaros deixando tudo completamente alagado. Terminado o dilúvio as nuvens desaparecem e o céu abre-se ao astro-rei que, indiferente ao que acabara de acontecer, radiante volta a brilhar e meia hora depois, da chuva, nem vestígios; quando faz Sol é de derreter! Fá-lo com tal severidade que até os animais de grande porte como, por exemplo, o elefante se não se abriga tomba; quando troveja é de uma inclemência assustadora. Uma coreografia sinuosa de luz aos ziguezagues seguida pelo ribombar dos trovões ecoa por todo lado, é verdadeiramente desconcertante e atemorizante. Os raios pegam fogo ao capim aqui, queimam uma árvore mais isolada ali, é medonho.
Em África, às vezes, as trovoadas surgem do nada! Está um lindo dia de Sol sem nuvens e, de repente, ouve-se um trovão sem se saber de onde surgiu! Olha-se então para o ar a fim de descortinar a razão de ser de tal estrondo, e, além, na imensidão do azul céu, vê-se uma pequena nuvem, eis aí a causa de tamanho estrondo!
A propósito, num lindo dia de Sol, logo pela manhã, eu e o Cardoso fomos a Carmona, se a memória não me atraiçoa, fazer exame de condução. Quando regressámos ao Quartel já passava muito da hora do almoço, o Sol ia alto e o calor apertava severamente. Na messe não se via nenhum graduado, apenas o faxina, pachorrentamente, ia arrumando a loiça do almoço. Este, ao ver-nos chegar pergunta se queremos comer e logo se apressa a pôr a mesa. Já no decorrer da refeição, de repente, ouvem-se vários estampidos (tipo rajada) seguidos de um forte estrondo que nos fez atirar para o chão! Voou a mesa e com ela toda a loiça e naturalmente a comida. Ficámos os dois estendidos no abrigo do chão da messe. Passados alguns segundos, apesar de sentirmos o coração a palpitar conseguimos reflectir e, depois de olharmos um para o outro, encolhemos os ombros minimizando o acontecido e levantámo-nos! – Tínhamos agido reflexivamente, depois dos treinos e dos tiros reais da guerra aprendemos a reagir ao mínimo estampido procurando um abrigo –, contudo, indagámos sobre o motivo de tais estampidos e logo o encontrámos: um sulco esculpido no cimento do chão indica o que acontecera, um raio atravessara a messe de Leste para Oeste! Daí as chicotadas seguidas do estrondo. Olhámos para o céu e vimos duas pequenas nuvens lá para os lados da serra do Uíge, a razão de ser deste fenómeno.
Mas não há nada como assistir a uma trovoada à noite em África, é algo que jamais se esquece. Eu gosto de o fazer da janela do meu quarto que está voltada para a Serra do Uíge. À noite a serra é escura como breu, mas os relâmpagos iluminam a montanha e podem ver-se até os grossos pingos de chuva a caírem com uma intensidade estonteante, as folhas das árvores adquirem nestes momentos uma cor azulada e os raios ziguezagueiam em queda livre esventrando a copa das árvores e logo são engolidos pela escuridão da noite que estremece com o ribombar do forte trovão! É um espectáculo. Temeroso, nostálgico, mas de uma beleza indescritível.
As trovadas são responsáveis pela maioria das queimadas (algumas são provocadas pela acção do homem), a faísca pega fogo a uma árvore ou ao capim e a estepe arde durante dias a fio. Também isto é um espectáculo, sobretudo à noite, ver a linha sinuosa do fogo subir e descer os montes lá longe… o fogo carboniza tudo o que se lhe atravessa no caminho, a flora e a fauna são engolidas com uma voracidade sem contemplação nem dó. Só o verde da floresta o consegue dominar pondo-lhe fim.
Eis outro acontecimento, nostálgico, da África imensa que retenho na memória para sempre.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010




NOTÍCIAS DO SONGO



04-01-2009 18:29

Uíge
Inauguradas três escolas em três localidades do Songo.

Uíge - três escolas do ensino de base foram inauguradas domingo, em três localidades do município do Songo, província do Uíge, pelo governador Mawete João Baptista.

As inaugurações dos novos estabelecimentos escolares (um total de 20 salas de aulas) aconteceram no quadro das celebrações do 48º aniversário do Dia dos Mártires de Repressão Colonial, que se assinala hoje em todo o país.

Beneficiaram destes empreendimentos as localidades de Kimussungo com cinco salas de aulas, Banza Luanda II com igual número de salas e o bairro 10 de Maio com 10 salas. No próximo ano lectivos, as novas escolas vão albergar mil e 600 alunos.


As escolas, apetrechadas com carteiras, quadros pretos e secretarias para os professores, foram erguidas no âmbito do Programa de Investimentos Públicos da província do Uíge.


Numa mensagem de agradecimento, as crianças defenderam a necessidade de o governo cumprir os 11 compromissos por ele assinado sobre os direitos das crianças.


O governador da província do Uíge, Mawete João Baptista, pediu aos habitantes destas localidades para que cuidem as escolas.
Fonte: ANGOP

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010


HORROR! HORROR! HORROR!

É a palavra que encontro para expressar o que sinto à medida que vou tomando conhecimento, através das imagens da comunicação social, do cataclismo que varreu e assolou o Haiti.
Atento às notícias, vejo que algumas instituições particulares e oficiais vão começando a agir, é verdade. Ouvi o apelo de Sua Santidade o Papa que muito me sensibilizou. Mas, meus irmãos, a dimensão da catástrofe é de tal monta que não chegam as palavras, por mais bem-intencionadas que sejam.
Todos: instituições oficiais, particulares, religiosas e individualmente, cada um de nós, somos poucos para ajudar aquele povo mártir a erguer-se. Este povo tem o direito a recuperar as suas casas, as suas instituições e o seu país. E, todos nós temos o dever humanitário e moral de os ajudar.
Depois do auxílio básico que já começa a chegar, é necessário dinheiro, e muito, para que as pessoas e o país se possam reerguer. Participemos, cada um de nós, individualmente com um donativo generoso para retirar estas pessoas da miséria a que estão sujeitos.
Nós, portugueses, já passámos por um cataclismo idêntico em 1755! E dizem os cientistas que estamos na eminência de outro! Não nos esqueçamos e entreguemos a nossa contribuição a instituições sérias e honestas que estão no terreno. E, já agora, atenção aos urubus vigaristas que sobrevoam por cima dos cadáveres e das pessoas em sofrimento.
Bem-haja e um abraço solidário.

sábado, 9 de janeiro de 2010




O “Cambalhotas”


Homem africano de estatura média, com uma agilidade extraordinária, dava um salto mortal de cima de uma berliet, em andamento, a quarenta quilómetros por hora e conseguia saltar para o chão ficando de pé! Espantoso não é verdade?
Uma ocasião vestiu-se de guerreiro, como era costume do seu povo, segundo ele, e pediu-me que lhe tirasse uma foto, vindo mais tarde a oferecer-me uma cópia como prova da sua amizade e para que eu nunca me esquecesse dele! Não te esqueci, amigo.
Este é o retrato de um Homem angolano que, com os pés assentes na sua terra, serviu Portugal, na Companhia “Os Fantasmas” no Songo, de 1973 a 1975.
Na pessoa deste meu amigo africano quero homenagear quantos, e tantos foram, serviram a pátria ombro a ombro connosco. Com votos de que a memória colectiva do nosso país nunca os esqueça.