sábado, 6 de março de 2010

Fotografia: José Bule

José Bule/Uíge - 01 de Março, 2010
In Jornal de Angola, Online

População do Songo não cruza os braços

Apesar das inúmeras dificuldades a população do Songo arregaçou as mangas e está apostada em dar nova imagem à região.
"O desenvolvimento de qualquer localidade depende das vias de acesso", disse Costa Manuel, administrador municipal do Songo, tendo solicitado das autoridades competentes um maior apoio para que a estrada seja reabilitada o mais rápido possível.
A administração municipal do Songo já tem definidas as prioridades para desenvolver a localidade. Agricultura, reabilitação das vias de acesso, água e energia eléctrica são as grandes apostas do administrador Costa Manuel.

Agricultura

A população do Songo é maioritariamente camponesa. A mandioca, jinguba, milho, batata-doce, batata rena, feijão, banana, manga, gergelim, muteta, tomate, couve e cebola são os produtos mais cultivados na região.
O município controla um total de 909 cafeicultores, que, em 2009, promoveram acções de comercialização que atingiram cerca de 300 toneladas de café mabuba. No ano passado foi cultivada uma área de cerca de 179.544.5 hectares. A produção atingiu 304.942 toneladas. Sobre os níveis de produção, o sector tradicional foi o que mais contribuiu, com 88.982 toneladas.
A rede comercial é composta por 109 estabelecimentos, como lojas, armazéns, talhos, peixarias e farmácias, mas a maioria não funciona. Apenas 38 estabelecimentos comerciais, sendo 32 lojas, um armazém e cinco farmácias funcionam de forma regular no município.
No ano passado o Programa de Intervenção Municipal (PIM) permitiu a reabilitação, ampliação e apetrechamento dos edifícios da administração municipal e comunal. As residências do administrador municipal e da sua adjunta, para além da residência do administrador comunal, também foram reabilitadas e devidamente apetrechadas.

Energia eléctrica

A vila do Songo não tem energia eléctrica. Os habitantes recorrem aos meios alternativos, geradores, para terem energia nas suas casas e poderem ver os seus electrodomésticos funcionarem.
O problema da energia já se arrasta há mais de quatro anos. Em 2007 o município beneficiou de um gerador de 600 kva para abastecer a vila. Até hoje a empresa encarregue de fazer as ligações domiciliárias e substituir a antiga rede de distribuição, já obsoleta, não dá por concluído os trabalhos de restauro, aliás, há muito que os trabalhadores da mesma não aparecem para continuarem com as obras de restauro.
Costa Manuel, administrador municipal, disse que a energia constitui uma das prioridades, “pois o desenvolvimento do município depende deste bem”. Na localidade, foram colocados 351 postos de iluminação solar, que no período nocturno dão vida à vila, permitindo a circulação normal dos seus habitantes.

Água potável

Songo não tem água potável. A população consome água das cacimbas e dos rios, facto que contribui no surgimento de várias enfermidades, como são os casos das doenças diarreicas.
Tal como em relação a energia eléctrica, o administrador municipal, Costa Manuel, aguarda que haja disponibilidade financeira para que se possa fazer obras de restauro da antiga rede de distribuição de água, substituindo-a por uma nova, e alargando a rede para os bairros que circundam a vila.
Costa Manuel avançou à reportagem do Jornal de Angola que já existe um projecto de abastecimento de água por sistema de gravidade. O rio manzau, localizado a cerca de 15 quilómetros da sede municipal, vai sustentar o projecto.

Faltam escolas e professores

Onze mil e 243 é o número de alunos matriculados no presente ano lectivo. Deste número, cerca de 8.586 frequentam o ensino primário, 2.232 estão no ensino secundário. No II ciclo existem 425 alunos matriculados e pelo menos 245 adultos frequentam aulas de alfabetização.
O administrador municipal do Songo referiu que o município necessita de 245 salas de aulas, para descongestionar algumas escolas e permitir o enquadramento de mais alunos. Costa Manuel avançou que as novas salas devem ser construídas nas localidades de Lucala de cima, Kimalalo, Caricari, Kihinda, Macali, Cambale, 4 de Fevereiro, Kifuati, Kiangala, Kingonga, Kibala, Kiniangui, Kimenongue, Kinzau, Kicalanga, Puco, Pemba, Dibala, Kavunga, Quipemba, Zulumungo, Matenda, e na escola denominada “Tocoísta”.
Dos 776 professores colocados no município, 552 têm o nível básico, 201 são técnicos médios, 13 técnicos superiores e dois licenciados. O município necessita de mais de 200 professores, entre técnicos médios e superiores, para melhorar a qualidade do ensino na região.
Em relação à distribuição da merenda escolar, as escolas do Kimalalu, Kambal, Kiangala, Mbanza Luanda 1º, Mbanza Luanda 2º, Kassalamba, 1º de Maio, Zulumungo, 117, Kifuata, 4 de Fevereiro, Mbau 2º, e Tocoísta, que somam no total mais de cinco mil crianças, beneficiam deste programa.
Noutras escolas a merenda não chega devido a intransitabilidade das vias de acesso.

Também faltam enfermeiros

A rede sanitária é composta por um hospital municipal, um centro e 14 postos de saúde. Um novo posto de saúde está a ser construído de raiz, na localidade de Kavunga. A chefe de repartição municipal da Saúde, Elisa Mateus José, informou ao Jornal de Angola que a maioria dos postos de saúde não funciona por falta de enfermeiros. “Apenas cinco postos de saúde funcionam regularmente”, disse.
A responsável avançou que três médicos e 61 enfermeiros trabalham no município. Mas, segundo a fonte, Songo necessita de pelo menos mais dois médicos e 100 enfermeiros, para que o quadro sanitário seja melhorado.
No ano passado, o hospital municipal registou um total de 1.885 consultas externas, 1.366 consultas de pediatria, 386 de ginecologia, 101 de pré-natal, e 498 intervenções cirúrgicas. Foram também efectuados 208 partos na referida unidade hospitalar.
A malária, diarreias, tosses e as doenças respiratórias são as mais frequentes na região.
Songo tem uma extensão territorial de 2.800 quilómetros quadrados e uma população estimada em 36.798 habitantes. Localiza-se a 40 quilómetros a Norte da província do Uíge, fazendo limites a Norte com os municípios da Damba e Bembe, a Este com o Mucaba, a Oeste com Ambuíla e ao Sul com o município do Uíge.

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