sexta-feira, 11 de novembro de 2016

11 DE NOVEMBRO

foto internet


"Perguntem às aves que cantam,
aos regatos de alegre serpentear
e ao vento forte do sertão:"
António Jacinto (poemas de 1961)



A TERRA PROMETIDA
Já lá vão mais de 40 anos (precisamente 41 anos) e ainda lhe sinto os cheiros: da terra, da savana, da mata, dos cafezais, dos rios e ribeiras, das mangas, dos mamões e dos abacaxis.
Quando deitado, não sei se durmo ou sonho, mas sei, isso sim que, de vez em quando, vejo a Lua com um tamanho desmesurado e uma cor que me aconchega e conforta; outras vezes, fecho os olhos e lá está aquele Sol cor de laranja, afogueado, na linha do horizonte, derradeiramente a arder por pouco mais tempo.
Recosto-me no sofá, encosto a cabeça e de pálpebras cerradas, de repente, vejo o Sol abrasador desaparecer; as nuvens negras tomarem de assalto o firmamento e o ribombar dos trovões largarem raios e coriscos por todo o lado; a água a cair em catadupas e a terra ressequida (como o rosto desidratado e sulcado pelas rugas das pessoas muito idosas) a engolir toda aquela tormenta com tanta sofreguidão que, logo, logo, se engasga e deixa que  se espraie num turbilhão pelo imenso sertão e, sem cerimónia, tudo arraste até encontrar as artérias caudalosas que a guia até ao Oceano Atlântico.

Este meu estado de espírito, diz-me a razão, é fruto do meu estado emocional, mas, diz-me mais: que se eu estiver num local tranquilo em contacto com a natureza, afastado de todo o stress destas vidas agitadas que levamos, hoje em dia, temos a oportunidade de pensarmos e  de encontrarmos respostas para as quais até agora não tivemos tempo. Uma vez aí (nesse meio-ambiente), o meu eu liberta-me para pensar mais com a emoção e este facto é para mim libertador. 

Ora o Songo, onde vivi 18 meses, é uma pequena vila situada num planalto entre as serras do Uíge e da  Mucaba, a norte do Uíge/Angola, perfeitamente inserido na natureza onde tudo estava em harmonia (guerra à parte). Será talvez por isso, que sinto, hoje, que esta é também a minha terra prometida (pois que dos angolanos o é  naturalmente)? Sim, porque quando me transporto (em pensamento) para lá, eu, sinto-me bem, sinto-me tranquilo, sinto-me em paz, sinto-me fortalecido capaz de fazer muitas coisas. Tudo. Nem que este "tudo" seja apenas olhar para os fenómenos da natureza, que lá se revelam de uma forma invulgarmente exuberante.

foto da internet
Vem, isto, a propósito do dia 11 de novembro, a Independência de Angola.
Dia em que o povo português transferiu para o povo angolano a soberania do território que vinha administrando há quinhentos anos.
Durante todos estes anos, os dois povos, foram caldeando relações, amizades e culturas que se tornaram indissolúveis.
Por tudo isto, quero dar os parabéns a todos os angolanos em geral e aos songuenses em particular, com um abraço fraterno.
Preservem a vossa independência, e estimulem a vossa democracia, para o bem comum.




Sem comentários:

Enviar um comentário

Deixe aqui o seu comentário: