quinta-feira, 12 de novembro de 2009



Esta foto faz parte do meu arquivo pessoal

Pois é, estamos mesmo a falar do Songo/Quivuenga!

Um Quivuenga decidiu escrever-me e, com a sua autorização, aqui fica mais uma história! Obrigado camarada.
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Caro amigo Magalhães:Quantas vezes terei passado por si, durante o tempo que permaneci em Quivuenga e das muitas vezes que ia ao Songo? Não me recordo como é óbvio da sua pessoa, embora o nome me diga alguma coisa e não resisti à tentação de lhe enviar estas palavras, ao consultar o site dos Quivuengas.
Posso dizer que continuo um apaixonado por aquele país, e que de alguma forma tenho até saudades do tempo que lá passei.
A minha especialidade era cabo condutor, e não esqueço um episódio que me aconteceu, e que para a solução do mesmo muito contribuiu a vossa Companhia.

Um dia em Carmona, bati com a berliet, na traseira de jeep Land Rover de um abastado português residente naquela cidade. Dei-me como culpado e a reparação custaria uma ninharia para as posses de um homem rico como ele, comparado com as dificuldades de um soldado (cabo) cujo salário mal dava para beber umas "Nocais" ou comer umas refeições num restaurante quando saíamos de Quivuenga. A berliet não teve nada, mas a traseira do Land Rover que era de alumínio ficou um pouco danificada. Para o meter numa oficina, custava-me à época 14 contos e eu não sabia, onde ir buscar esse dinheiro. Alguém me disse que na companhia do Songo havia dois militares (negros) que sabiam de bate chapas e dessa maneira me poderia ficar mais barato. Falei com o meu capitão (Oliveira) ele falou com o comandante de companhia do Songo que não me recordo do nome, e autorizou os dois militares a repararem a viatura, pagando eu apenas os mateiras, e depois dei também uma gorjeta aos citados militares, que assim contribuíram para que as minhas já de si débeis finanças, não fossem ainda mais afectadas.
Relativamente ao tal proprietário do veículo com quem choquei com a berliet, ele foi na altura comigo à oficina em Carmona para fazer o orçamento. Ao saber que o mesmo era de 14 contos, ofereceu-se para depois me ajudar a pagar com algum dinheiro parte dessa reparação. Como foi arranjado no Songo pelos dois militares naturais de Angola, o tal ricalhaço, foi lá levar a viatura para reparar, e quando estava pronta e viu que me ficou mais barata a reparação do que na oficina, ele nunca me deu nada apesar de eu lhe ter pedido algumas vezes. A única coisa que fez foi meter-me dentro do "carrão" que tinha (um Camaro - Chevrolett) e deu duas voltas por Carmona a alta velocidade, talvez para me provar que era um bom condutor, ao contrário de mim que lhe estraguei o jeep. Quando me despedi, com a educação que é meu apanágio e que recebi de meus pais, apenas lhe disse que eu cumpri a minha parte, reparando a viatura dele e ele não cumpriu a dele ao negar-me a ajuda prometida. Olhou-me com desprezo, e eu fechei-lhe a porta com alguma indelicadeza e virei as costas. Como eu ia a Carmona várias vezes, encontrei-o num bar de nome "safari" em frente do hotel Apolo, e convidou-me a beber uma cerveja. Respondi-lhe que era pobre, mas com dignidade e se tive dinheiro para pagar a reparação, melhor tinha para beber uma cerveja. A partir daqui nunca mais lhe falei, quando calhava de o ver.Como disse o dono da viatura era segundo informações um homem rico, que em nada o prejudicaria se perdoasse a minha culpa, mas não aceitou o pedido de desculpas, e como já estávamos muito próximos de vir embora, o meu sacrifício pagou a reparação, mas pergunto-me se o meu sacrifício o beneficiou a ele em alguma coisa. A viatura veio para Portugal, ou ficou lá a apodrecer? Enfim sensibilidades, que não lhe resolveram o problema mas que agravou significativamente o meu. Esta é a penas uma das muitas histórias a relatar.

Comi muitas vezes no refeitório da Companhia do Songo, quando em serviço lá me deslocava. Quanto a mim, posso dizer que quando saí de Angola (a comissão começou em 12 de Fev. 74 e terminou em 25 de Julho de 75), como a situação em Portugal era confusa (estávamos em pleno PREC) decidi emigrar e parti para a Venezuela, onde estive 6 anos. Depois a saga continuou por Arábia Saudita, Rússia, Irão, Alemanha, Itália, Bélgica e Holanda. Regressei há 11 anos, tendo ingressado nos quadros da Câmara Municipal de Tabuaço (meu concelho) onde trabalho como Assistente Técnico. Estes meios informáticos ao nosso dispor, são muito úteis porque encurtam distâncias e permitem (como é o caso) aproximarmo-nos dos amigos. Todos os anos os Quivuengas fazem um encontro, que servem para matar saudades e recordar velhas amizades.Caro amigo, como digo não sei nada de si, nem donde é, mas quem sabe se este não será o princípio de uma amizade longa e duradoura. Felicidades para si e família e (quem sabe) até um dia.
Saudações Songo-Quivuengas.
Rui "CARVALHO" ex-1º cabo Condutor Auto Rodas

2 comentários:

  1. herois do songo a esse grupo tambem pertenço

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  2. Vejo que o amigo Magalhãns também andou pelas paragens do Songo e saudades tem dessa linda terra assim como eu pois estive lá a comissão toda ou seja 65 66 67 era condutor conheci a região toda desde oSongo até Zanza Pombo Negage Quitexe NovaCaipemba Uige zalala e tantas outras localidades serra do uige de um lado ao outro´enfim tempos dificeis dos quais temos imensas saudades, Zé BRITO ex soldado condutor 64 um abraço

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